A Lógica do Indeterminado no Cinema

13.05.2026

Caché.

No XV Encontro Anual Congresso Internacional da AIM, que decorre atualmente em Mirandela, na Escola Superior de Comunicação, Administração e Turismo (EsACT) do Instituto Politécnico de Bragança, apresentarei amanhã uma comunicação intitulada “A Lógica do Indeterminado no Cinema”, a partir das seguintes linhas:

Esta comunicação reflete sobre o cinema enquanto prática de escolha, entendida não apenas como decisão autoral consciente, mas como processo que inclui acidentes, desvios, e efeitos não inteiramente controlados ou controláveis. Partindo da noção de lógica do indeterminado, argumenta-se que a indeterminação não constitui um défice de sentido, mas um modo rigoroso de organização do sensível, no qual a relação entre intenção, forma, e efeito ético permanece instável. Em diálogo com Jacques Rancière, Stanley Cavell, e Vivian Sobchack, defende-se que a dimensão ética do cinema emerge menos da clareza moral e mais da forma como o filme redistribui o sensível (Rancière), convoca uma ética da atenção e do reconhecimento (Cavell), e envolve o espectador enquanto corpo situado na experiência fílmica. A indeterminação resulta de escolhas formais que recusam a coincidência imediata entre ver, compreender e julgar, abrindo um espaço de atenção e envolvimento ativo. Nada a Esconder (Caché, 2005) de Michael Haneke será analisado como exemplo de uma poética da expressão na qual a indeterminação nasce tanto de decisões autorais como da recusa de resolução narrativa, confrontando o espectador com uma culpa sem origem identificável e uma responsabilidade sem resposta estabilizada. Neste sentido, a lógica do indeterminado permite pensar o cinema como espaço privilegiado para interrogar a ética das escolhas — não apenas as conscientes, mas também as inconfessadas e ambíguas.