The Mistake of Sneezing

17.06.2022

Parks and Recreation, “The Stakeout” (2.02).

There is a moment from the sitcom Parks and Recreation (2009-15), created by Greg Daniels and Michael Schur, that is exemplary of the staging of action ans stillness in the series. Ron Swanson, played by Nick Offerman, is at the heart of the scene. He is an advocate of libertarianism who is purposely remote and, perhaps contradictorily, serves as the Director of a Parks and Recreation department in Indiana — which, of course, he believes it should not exist. The series is a mockumentary that employs stylistic devices and techniques that have been used in other workplace sitcoms like The Office (2001-5, UK; 2005-13, US) such as hand-held filming and direct sound.

The moment is from the episode “The Stakeout” (2.02). Ron is fixed in his chair. The smallest movement of his body causes excruciating pain because of a hernia that had been bothering him for a while. “I made the mistake of sneezing”, he explains. Since he is usually seated and almost does not move, people do not notice his troubling situation. Leslie Knope (Amy Poehler), the energetic Deputy Director talks to him as if everything is as it usually is. In analysing and interpreting this moment, I call attention to the particular achievements of Offerman’s understated comedic performance. But also to the character’s physical characterisation, between action and stillness, feeling and apathy, mutual help and self-reliance, with a penetrating political dimension.

Such a moment revelas the richness of the sitcom, one of the most popular and neglected forms of televisual art. More broadly, the close stylistic analysis of this moment from Parks and Recreation gives me the opportunity to scrutinise and appraise Greg Daniels’ work as television creator. He had developed the American version of The Office and has been responsible for the animated sitcom King of the Hill (1997-present; with Mike Judge). In Parks and Recreation, he worked with Michael Schur. A distinct aspect of his work in the history of television lies in how it employs the format of the sitcom to frame satire. Satirical comedy makes use of irony and exaggeration in order to be socially and politically critical. Parks and Recreation uses the workplace sitcom to examine the inner workings of the institution that oversees public parks, open space, and community centres, its function in democracy and its connection with the daily lives of Pawnee’s inhabitants (Pawnee is the series’ fictional town in Indiana). Moreover, the series adapts the sketch comedy of Saturday Night Live (1975-present), where Daniels began as a member of the writing staff, to the sitcom genre along with the everyday, often subtle, humour of King of the Hill that paints a portrait of Middle America.

Ilhas de Rocha

15.06.2022

A Ilha dos Amores.

O jornal “Avante!” desta semana inclui um artigo meu sobre A Ilha dos Amores (1982) e A Ilha de Moraes (1984) de Paulo Rocha. O texto levou o título “Ilhas de Rocha” e está disponível aqui.

Tempo e Narrativa no Cinema de Manoel de Oliveira

06.06.2022


Foi apresentado no XI Encontro Anual da AIM, em Évora, pela autora. Recomendo vivamente este estudo sobre a obra cinematográfica de Manoel de Oliveira a partir do tempo e da narrativa. Foi uma honra para mim aceitar o convite da Maria do Rosário Lupi Bello e assinar o prefácio ao seu livro. Aqui fica o excerto do meu texto que a editora achou por bem destacar:

A estética oliveiriana não se baseia na transparência do registo, mas também não é artificial. É um cinema em permanente construção que desafia o que se pensa como evidente […]. A luminosidade e a escuridão memoriais das origens do cinema habitam‑no e indiciam o que há a (re)descobrir. É o passado e o presente. Através de um foco limitado, necessário para o aprofundamento, este livro tem a grande virtude de nos dar a conhecer esta consciência do tempo que provém do trabalho criativo sobre a narrativa fílmica nos filmes de Oliveira.

Fé Persuadida

06.06.2022

Lourdes.

O programa do Colóquio da ReliMM - A Religião nas Múltiplas Modernidades, 30 de Junho a 1 de Julho no Instituto de Sociologia da Universidade do Porto já é público. Participo no painel “Religião, Imagem, Arquitetura e Comunicação”, moderado por Alex Villas Boas. A minha comunicação tem o título: “Fé Persuadida: Uma Leitura Teológica de Lourdes (2009)”. Eis o resumo:

Como uma das três virtudes teologais, a fé (fidei) é concebida na teologia cristã como infundida em vez de adquirida. Tal como a esperança (spes) e a caridade (caritas), a fé tem Deus como origem, motivo, e objecto. O entendimento teológico é o de que, através dela, os seres humanos podem unir-se a Deus e participar ativamente na vida divina trinitária. Mas, para São Tomás de Aquino, mesmo uma virtude infundida — isto é, causada por Deus sem a nossa ação —, necessita do nosso consentimento para ser eficaz e produzir efeito. Esta comunicação apresenta uma leitura teológica do filme Lourdes (2009), realizado por Jessica Hausner, que permite desenvolver estas reflexões, porque se trata de um exemplo significativo de representação da fé como virtude teologal no cinema contemporâneo. A narrativa segue uma jovem chamada Christine (Sylvie Testud), que sofre de esclerose múltipla grave, numa peregrinação católica ao Santuário de Nossa Senhora de Lourdes em França. O percurso da personagem em torno da sua possível cura, os seus momentos de meditação, as suas interações com outras personagens, mostram a fé humanamente vivida, oscilando entre a incerteza e a confiança. O consentimento humano decide-se nesta oscilação, que a obra associa à possibilidade de persuasão.

O Cinema como uma Educação Social dos Sentidos

30.05.2022

Escapou-me esta recensão ao meu livro “O Trabalho das Imagens: Estudos sobre Cinema e Marxismo” (Lisboa: Página a Página, 2020), escrita por Jesús Ramé López (Universidade Rei Juan Carlos) e publicada na Aniki: Revista Portuguesa da Imagem em Movimento. Obrigado pela dica, Caterina Cucinotta! Só posso agradecer esta leitura muito atenta e perspicaz, centrada numa das ideias desenvolvidas no livro: o cinema como educação social dos sentidos. Quem sabe se este texto não iniciou um diálogo entre nós que pode dar frutos científicos no futuro.

A Transcendência do Ecrã #5

24.05.2022


O ciclo de 12 seminários com o título “A Transcendência do Ecrã” procura investigar expressões do religioso no cinema português, abordando revisitações cristãs, traçando itinerários de leitura, e tateando fronteiras incertas. Os seminários são coordenados por Maria do Rosário Lupi Bello (UAb/CECC-UCP) e Sérgio Dias Branco (UC/CEIS20).

Os pedidos de inscrição devem ser dirigidos para:sdiasbranco@fl.uc.pt

Mais informação sobre o projecto FID: Film and Interreligious Dialogue aqui.

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A Transcendência do Ecrã: #1 · #2 · #3 · #4

Elogio de um Género Político

24.05.2022

Foge.

No próximo sábado, apresento uma comunicação no XI Encontro Anual AIM com o título “Elogio de um Género Político: Foge (2017) e o Cinema de Terror Americano” e o seguinte resumo:

Esta comunicação tem o objetivo de investigar Foge (Get Out, 2017) de Jordan Peele como filme de terror que enfatiza a dimensão política e de crítica social do género cinematográfico no qual se inscreve. Muitos estudos têm sido desenvolvidos sobre esse aspeto, frequentemente considerando o terror como um modo de representação particularmente adequado para revelar a neurose política de uma sociedade, como demonstram as obras influentes de cineastas americanos como George A. Romero e Wes Craven. De que maneira “Foge” pertence a esta tradição ou se afasta dela? A narrativa centra-se num homem negro, Chris Washington (Daniel Kaluuya), que faz uma viagem ao norte do estado de Nova Iorque para visitar a família abastada da sua namorada branca, Rose Armitage (Daniel Kaluuya). A pouco e pouco, vai-se percebendo que Chris é uma presa de um esquema de prolongamento da vida de pessoas brancas através da apropriação dos corpos de pessoas negras. Por um lado, a obra analisa a alienação racial através de tropos do cinema de terror. Por outro lado, o filme é devedor de outras linhagens estéticas como a da comédia negra que complicam a sua filiação. Talvez por isso o cineasta tenha descrito Foge como um thriller social, no qual “o vilão final é a sociedade”. A questão crítica é se esta classificação não é uma forma de afastar o filme da matriz do cinema de terror, mantendo a distância em relação a um género muito popular, mas que permanece com uma aura de menoridade artística.

XI Encontro Anual AIM

24.05.2022


No site da AIM já está disponível o programa completo do XI Encontro Anual que vai começar amanhã na Universidade de Évora. Está disponível aqui.

ReliMM - A Religião nas Múltiplas Modernidades, 7.ª Edição

19.05.2022


É a primeira vez que vou participar no Colóquio da ReliMM - A Religião nas Múltiplas Modernidades, através do Centro de Investigação em Teologia e Estudos de Religião (CITER) da Universidade Católica Portuguesa, um dos centros de investigação que integra a rede. Deixo os detalhes para uma data mais próxima do evento. Por agora, quem tiver interesse, pode apontar na agenda.

Foge e a Política do Cinema de Terror

05.05.2022

Foge.

Amanhã será o meu último seminário em torno de Foge (Get Out, 2017) de Jordan Peele no Mestrado em Estudos Artísticos. Dedicámos um semestre inteiro de Teoria do Cinema a investigar, com interesse e perseverança, um filme admirável. Admito, e até já foi confessado por estudantes nesta recta final, que pudesse parecer um desafio estranho no início. Há assim tanta coisa para estudar e descobrir num único filme? A minha resposta, e a do grupo de estudantes que comigo fez este caminho de discussões críticas e muitas leituras, é afirmativa. Os nossos tópicos principais foram a dimensão política do cinema de terror, a persistência do racismo, Peele como autor negro, narrativa e contextos históricos, e o impacto cultural do filme. Obrigado.