Cinema Largo

30.01.2019


Atrás do Espelho.

Os formatos da imagem foram mudando ao longo da história do cinema. Mudaram com a introdução da banda-som na película, mas sobretudo com o desenvolvimento de formatos anamórficos em que o rectângulo dos fotogramas era estendido em comprimento na projecção. Um desses formatos, o CinemaScope, é talvez o mais conhecido, com uma proporção de 2.66:1. Foi utilizado pela primeira no filme A Túnica (The Robe, 1953).

Conta-se que o amor de Nicholas Ray pelo Scope nasceu de uma visita que o cineasta fez a Taliesin West em Spring Green, Wisconsin, da autoria do arquitecto Frank Lloyd Wright. Os vãos do edifício recortavam rectângulos alongados da paisagem campestre. Ele apreciou essas imagens, não só como resultado de uma relação única com a natureza, mas também como uma visão intencional e consistente do mundo.

O Scope, na sua grandeza e aparente artificialidade, instala a sensação de que olhar não corresponde a uma postura fixa, mas sim a uma posição que abre espaço para o movimento. É um olhar rasgado até aos objectos periféricos, geneticamente aberto ao múltiplo. Um formato é uma permanência, uma condição material da arte cinematográfica que influencia a construção de universos e o estilo visual de um filme. Jean-Luc Godard disse um dia que se o cinema não existisse, Nicholas Ray tê-lo-ia inventado. Este cineasta foi um dos grandes estetas do Scope como espaço de relações e de composição marcado pela ambiguidade. Obras como Atrás do Espelho (Bigger Than Life, 1956) comprovam-no bem.

À Margem do Cinema Português

29.01.2019

A Fundação Calouste Gulbenkian decidiu atribuir financiamento a um projeto do CEIS20 em parceria com o LIPA - Laboratório de Investigação e Práticas Artísticas no âmbito do Concurso de Apoio a Projetos de Investigação nos Domínios da Lingua e da Cultura Portuguesas.

“À Margem do Cinema Português: Estudos sobre o Cinema Afrodescendente Produzido em Portugal” será coordenado pela Michelle Sales e por mim. A equipa do projeto inclui ainda as investigadoras Ana Cristina Pereira (UMinho), Liliane Leroux (UERJ), e Daniele Ellery (UNILAB), o investigador Paulo Cunha (UBI), e a realizadora Maíra Zenun.

Jonas Mekas (1922-2019)

24.01.2019


As I Was Moving Ahead Occasionally I Saw Brief Glimpses of Beauty (2000).

Uma Época de Mudança

22.01.2019

60 Anos de Revolução, 60 Anos de Cinema

17.01.2019


Memórias do Subdesenvolvimento (Memorias del subdesarrollo, 1968).

O jornal Avante! publicou hoje um artigo meu sobre os 60 anos da Revolução Cubana e o seu cinema. Pode ser lido aqui.

Sessões do Carvão — O Cinema Falado
Luz Obscura (2017) / Susana de Sousa Dias

15.01.2019

A Noite Escura da Fé

15.01.2019


Luz de Inverno.

Este ano começou com uma boa notícia: o lançamento do jornal 7 Margens. Trata-se de uma nova publicação digital sobre religiões, espiritualidades e culturas. Lê-se no texto de apresentação escrito pelo António Marujo (director) com Manuel Pinto, Jorge Wemans, e Eduardo Jorge Madureira: “Este projeto foi participado na sua génese e quer ser participado na sua concretização. Organizámos encontros de pessoas de diferentes idades e situações em Braga, Porto, Aveiro, Covilhã, Coimbra e Lisboa. Daí concluímos haver espaço e mesmo necessidade de uma publicação como esta e recebemos sugestões de conteúdos a abordar.” Participei no encontro em Coimbra e vou colaborar neste projeto que me entusiasmou desde o início. Descubram-no. Vale a pena.

O primeiro artigo original que assino no 7 Margens é sobre Luz de Inverno (Nattvardsgästerna, 1963), filme sobre a escuridão do caminho da fé cristã realizado por Ingmar Bergman. Levou o título “A Noite Escura da Fé” e está disponível aqui.

Por Parte de Pai

15.01.2019


Por Parte de Pai.

Amanhã é exibido o documentário Por Parte de Pai (2018) de Guiomar Ramos, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro, na sede do Centro de Estudos Interdisciplinares do Século XX (CEIS20) da Universidade de de Coimbra, às 16 horas. A sessão é organizada em colaboração com o LIPA - Laboratório de Investigação e Práticas Artísticas.

Participo no evento com a Michelle Sales (CEIS20/UFRJ), em diálogo com a realizadora para abrir o debate. É muito oportuna a exibição deste filme no contexto político actual do Brasil. O filme narra a história do português Vítor Ramos, jornalista, ensaísta, crítico, militante comunista, e professor universitário, exilado no Brasil desde 1955. Depois de mais de 40 anos, a sua filha percorre a intensa actividade cultural e política do pai na luta contra duas ditaduras, inscrevendo na narrativa fílmica a sua subjectividade.

IX Encontro da AIM

14.01.2019

4.ª Feira Clássica

11.01.2012

Como se vê, vou apresentar O Homem da Manivela (The Cameraman, 1928) em Março. O resto do programa é igualmente extraordinário e cuidado. E é tão gratificante ver quem colaborou com o curso de Estudos Artísticos e quem nele estudou a desenvolver projetos como este, que levam o (grande) cinema onde ele normalmente não chega.

Página Oficial do LIPA

10.11.2018

Ajudei este projecto a nascer. Vejo-o crescer. Coordeno-o com muito gosto. Fica o convite para acompanharem o nosso trabalho na página oficial do LIPA - Laboratório de Investigação e Práticas Artísticas no sítio eletrónico da Universidade de Coimbra, agora disponível e em atualização. Pode ser visitada aqui.

Manifesto a Favor do Cinema

09.01.2019

Mostra Realizadoras Portuguesas

04.01.2019

Imagens Psíquicas

02.01.2019


Veludo Azul.


Estrada Perdida.

No cinema surrealista de David Lynch, a figuração sofre uma distorção, muitas vezes relacionada com o interesse que o cineasta tem na psique humana. A inquietação da famosa cena de Veludo Azul (Blue Velvet, 1986) não vem apenas do que nela se passa — o desvelamento do mundo sórdido onde Dorothy (Isabella Rossellini) vive em desespero —, mas da sua ambiguidade, como se o gesto de desvelar fosse afinal o de colocar outro véu. Jeffrey (Kyle MacLachlan) vê Dorothy (e o filme mostra o que ele vê) de dentro de um roupeiro como se fosse uma alucinação. Já em Estrada Perdida (Lost Highway, 1997), a torção de um corredor espelha a esquizofrenia de Pete Dayton (Balthazar Getty), e quando ele abre uma porta, a deformação permanece e o ecrã é inundado do vermelho gritante da fantasia que Alice (Patricia Arquette) representa para ele. Capacidade paradoxal esta de chegar ao abstracto de um espaço mental através de um máximo de figuração.