Working with Film

19.02.2020


A Portuguese Farewell (Um Adeus Português, 1986).

Tomorrow I praticipate in a 2-day event on research methods in film studies at the Catholic University of Portugal. Here is the abstract to my paper, “Working with Film”:

This talk focuses on the methodological issues involved in choosing a film or a group of films to conduct research in film studies. These choices may rest on different yet compatible perspectives: representation, authorship, national cinema, genre, otherness, among others. My aim is to address aspects related with the design and development of a research project that works with film works as objects of critical inquiry. Such aspects are deeply connected with the ability to do two things at the same time. On the one hand, to distinguish and select between the major paradigms of film studies, especially those in interpretation, criticism, history, and theory. On the other hand, to preserve and appreciate the artistic singularity of the films under scrutiny.

Workshop on Research Methods in Film Studies

11.02.2020

More info here. To participate send an email to filmresearchworkshop@gmail.com.

O Cinema Político Brasileiro Contemporâneo:
Setenta (2013) de Emília Silveira

10.02.2020

4.º Mar Film Festival: “Novas Vistas Lumière”

10.02.2020

A 4.ª edição do Mar Film Festival, promovido pelo Museu Marítimo de Ílhavo, está marcado para 17 a 21 de abril. Até lá, decorre o concurso de curtíssimas metragens “Novas Vistas Lumière”, cujos vencedores serão anunciados no evento. Faço do júri de pré-seleção deste concurso. As submissões realizam-se até 15 de março. Mais informações aqui.

Kirk Douglas (1916-2020)

06.02.2020


Horizontes de Glória (Paths of Glory, 1957).

Rádio no Cinema

06.02.2020


Os Dias da Rádio.

A nova temporada de A Grande Emissão do Mundo Português do Teatrão estreia com um ciclo de cinema imperdível, em parceria com o LIPA - Laboratório de Investigação e Práticas Artísticas. O ciclo “Rádio no Cinema” tem entrada livre e o seguinte alinhamento:

A Menina da Rádio (1944), real. Artur Duarte
15 Fev., 17h

Os Dias da Rádio (Radio Days, 1987), real. Woody Allen
20 Fev., 18h30

A Praire Home Companion - Bastidores da Rádio (A Prairie Home Companion, 2006), real. Robert Altman
27 Fev., 18h30

From Analogue to Digital

04.02.2020

I am honoured to be one of the invited speakers for this conference at the University of Leeds in April. Thanks for the invite, Stephanie.

Sessões do Carvão — O Cinema Falado
Terra (2018) / Hiroatsu Suzuki e Rossana Torres

04.02.2020

Uma Vida Conspirada

04.02.2020


Henrique Espírito Santo (1931-2020).

A história do cinema português tem sido escrita com ausências que fazem esquecer a sua dimensão colaborativa. A arte do cinema nasce do esforço colectivo. Henrique Espírito Santo soube isso como poucos e essa consciência fez dele uma figura marcante.

A sua ligação ao cinema começou na década de 1950, no movimento cineclubista. Foi dirigente do cineclube Imagem entre 1954 e 1970. Os seus textos críticos para jornais diários e revistas como a Seara Nova e a Vértice prolongaram o trabalho de divulgação e discussão desses espaços. Os cineclubes eram lugares de liberdade e luta antifascista. “O cineclubismo foi o grande movimento cultural de massas antes do 25 de Abril”, lembrava ele. Para ele, os cineclubes continuam a ter um papel fundamental a desempenhar. Afirmou isso há seis anos, quando foi homenageado no Fantasporto, em forma de apelo: “Os cineclubes continuam, há uma federação, e é preciso que estejam atentos e lutem ao lado dos cineastas, das associações de realizadores, das associações de produtores, de técnicos, porque estamos de novo numa situação difícil.” Uma situação difícil que permanece.

Tinha-se tornado militante do Partido Comunista Português (PCP) em 1957. Em 1963, foi preso pela PIDE e condenado sob a acusação de animus conspirandi, por actividades ligadas ao sector de espectáculos do PCP. Esteve encarcerado mais de um ano. Foi acusado de ser conspirador e era-o. Foi-o sempre. Se ser conspirador é um crime, foi um crime de uma vida.

Em 1966, tornou-se profissional de cinema. Trabalhou com José Fonseca e Costa na Unifilme, criada em 1967. Entre 1972 e 73, esteve associado ao Centro Português de Cinema, financiado pela Fundação Calouste Gulbenkian, que impulsionou o Novo Cinema Português, movimento de ruptura estética, cultural e social. Fundou a Cinequanon em 1974, com o director de fotografia Elso Roque, entre outros, e a Prole Filme em 1976, com o realizador Luís Filipe Rocha. Embora tivesse trabalhado como actor, foi na produção que construiu uma carreira.

Depois da Revolução de Abril, fez parte do Núcleo de Produção do Instituto Português de Cinema. Integrou o Colectivo dos Trabalhadores da Actividade Cinematográfica que filmou As Armas e o Povo, entre 25 de Abril e o 1.º de Maio de 1974. Foi membro da Célula do Cinema do PCP, que produziu o mordaz As Desventuras do Drácula Von Barreto nas Terras da Reforma Agrária (1977). Nele desempenhou o papel da personagem do título, inspirada em António Barreto, Ministro da Agricultura e Pescas do Partido Socialista, destruidor do processo libertador da Reforma Agrária.

Entre 1978 e 1980, foi professor de produção na Escola de Cinema do Conservatório e em Angola. O caderno Produção de Filmes resultou destas aulas. O seu trabalho de formação profissional na área da produção marcou profundamente o cinema português. O seu percurso como director de produção começou em 1971, com O Recado de Fonseca e Costa. Entre os filmes cuja produção dirigiu contam-se peças centrais do cinema português como A Promessa (1972) de António de Macedo, primeiro filme português seleccionado para o Festival de Cannes, Jaime (1974) de António Reis, Benilde ou a Virgem-Mãe (1975) e Amor de Perdição (1979) de Manoel de Oliveira, e O Bobo (1987) de José Álvaro Morais, primeiro filme português premiado no Festival de Locarno. Trabalhou ainda com outros cineastas notáveis como João César Monteiro, Margarida Gil, João Mário Grilo, Solveig Nordlund, Alberto Seixas Santos, e Jorge Silva Melo. O documentário Até Amanhã, Henrique!, realizado em 2017 por Miguel Cardoso, fixa o essencial dessa história que se confunde com a do cinema português.

A sua dedicação foi reconhecida com um prémio da Academia Portuguesa de Cinema em 2014 e um ciclo e catálogo da Cinemateca Portuguesa - Museu do Cinema em 2016. O seu nome é incontornável porque ele não contornou dificuldades, nem cultivou amarguras. Defendeu o cumprimento do dever social do estado no financiamento da cultura, permitindo o risco da criação e garantindo a diversidade de opções estéticas. Teve a coragem de um conspirador generoso e solidário por outra sociedade, livre da vampirização humana, empenhado na cultura como campo humanista de convivências.[1]

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[1] Publicado em A Voz do Operário 141, n.º 3075: 15, https://vozoperario.pt/jornal/2020/02/03/uma-vida-conspirada.