Observing the Unobserved

02.12.2016


Foreign Parts.


This year’s Forum of the Real, organised by the film festival Porto/Post/Doc in partnership with CITAR (Research Center for Science and Technology of the Arts - Catholic University of Portugal), discusses the concept of “sensory cinema” in three panels. I was invited to participate in the second panel (“About Sensory Cinema”), along with film scholars Cornelia Lund and Thomas Weber (University of Hamburg) and Iván Villarmea Alvarez (University of Santiago de Compostela). This session takes place today at 2pm. It will be chaired by film programmer Justine Duay.

The talks are to be informal and not purely academic, but I have sketched a direction for my talk and even gave a title to the sketch: “Observing the Unobserved: Thinking Through Sensory Cinema with Walter Benjamin”. Here it is:

For those who have never watched one of its films, the wave of sensory cinema may sound like a documentary film practice that reduces spectatorship to sense-experience. This, of course, implies a kind of ahistorical approach and alienating effect, which contradicts the emancipatory possibilities opened by new technologies. Walter Benjamin’s perceptive reflections on technology, aesthetics, and art allow us to make sense of sensory cinema. On the one hand, he argued that the development of technology in the capitalist mode of production forces a utilisation that alienates humanity from itself, changing its sense perception and showing its own destruction as a spectacle. On the other hand, technology may be used as an aid that grounds human beings in the world, making them conscious of their natural, historical, and social facets. The camera is particularly apt to reveal elements of reality that may register in our senses, but that are not consciously processed. This is the reason why, according to Benjamin, film gives us access to an optical unconscious. The Sensory Ethnography Lab at Harvard University uses film technology in such a way. Its ethnographical dimension puts forward an understanding of art as a way of knowing peoples and cultures, expanding the aesthetics of film and problematising the politics of portrayal. These ideas will be developed through the analysis of Foreign Parts (2010), directed by Verena Paravel and J.P. Sniadecki. The film focuses on the community of outcasts who live in Willets Point and survive by working in auto repair shops and junk-yards. This industrial neighborhood is about to be demolished to make room for a huge urban redevelopment project by the large company Bloomberg. The hallmark of this work is how it details the lives of these people and their visitors by amplifying sensory elements though the use of digital technologies. Since different methods of observation are a key part of ethnographic research, we may say that Foreign Parts observes the socially unobserved, giving it aesthetic qualities that amount to an incisive portrait.

Steal a Still

01.12.2016


Good Kill (Morte Limpa, 2014).


O À Pala de Walsh convidou-me para participar na rubrica “Steal a Still” que, segundo a publicação, “celebra a potência estética do still e a curiosidade voyeur pelo que de mais recente ‘o igual cinéfilo’ tem deitado olho”. Escolhi este fotograma (clicar para ampliar) e o resultado por ser visto aqui.

Apresentação de Por Dentro das Imagens

30.11.2016


O meu livro Por Dentro das Imagens: Obras de Cinema, Ideias do Cinema será apresentado hoje, às 19h, na libraria Linha de Sombra, na Cinemateca Portuguesa - Museu do Cinema (CP-MC), pelo Tiago Baptista (CP-MC/Universidade Católica Portuguesa), a quem desde já agradeço por ter aceitado esta tarefa. Como já exprimi antes, estou sinceramente grato ao João Coimbra Oliveira da Linha de Sombra pela disponibilidade e ajuda na organização deste evento.

O Cinema Olha a Música (8)

29.11.2016


Let’s Get Lost (1988).



Round Midnight (À Volta da Meia-Noite, 1986).


Estes filmes serão mostrados amanhã nas Sessões do Carvão, o primeiro às 18:30, o segundo às 21:30.

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O Urbano e o Doméstico

28.11.2016


The Big Heat.


Começa hoje a Conferência sobre Espaço e Cinema, organizada pelo Centro de Estudos Comparatistas na Universidade de Lisboa. Todas as informações sobre este importante evento científico estão disponíveis aqui. Vou participar na conferência com uma comunicação intitulada “O Urbano e o Doméstico: Os Espaços do Film Noir Americano”, com o seguinte resumo:

Os espaços urbanos e domésticos estão no cerne do film noir americano desenvolvido nas décadas de 1940 e 50. A ligação entre estes espaços e o noir não pode ser considerada apenas através da associação entre a cidade e o crime ou da separação entre a casa e a violência. O contexto deste género teórico pensado por críticos franceses deve ser levado em consideração, de uma forma mais ampla e precisa, como o universo real e imaginário habitado pelas suas personagens. Estudar filmes como Double Indemnity (Pagos a Dobrar, 1944) e The Big Heat (Corrupção, 1946) revela uma arqueologia do noir como narrativa da cultura espacial dos EUA e, em simultâneo, como um meio de imaginar essa cultura. O que emerge é a dimensão social dos filmes noir que põe em contacto várias épocas e diversos lugares com a escuridão e a inquietação de um pesadelo. O film noir americano foi produzido num período da história dos EUA na qual o medo imperou. As feridas deixadas pela Grande Depressão ainda estavam frescas e o comunismo era visto como uma ameaça permanente na esfera pública e privada.

O território do noir é uma imagem múltipla da história dos EUA que começou com o desenvolvimento de áreas povoadas apreendidas e áreas despovoadas ocupadas que foram sendo agregadas. Desta junção resultou um espaço centrífugo, descentralizado através dos esquemas de crescimento, das auto-estradas interestaduais, dos planos de tráfego, e dos meios de comunicação de massas. Podemos dizer que este território só se torna tangível através da força da velocidade. A cidade do noir é, no geral, a nova grande cidade americana. As cidades modernas são palimpsestos compostos por restos de paisagens anteriores que são apagados ou relacionados por estruturas emergentes. Isto também se aplica às cidades americanas, apesar da sua juventude. Estes filmes tiram partido da capacidade que o cinema tem de projectar o passado de uma cidade e de registar vestígios das suas mudanças ao longo do tempo.

São vários os lugares do noir no quais as personagens circulam, vivem e morrem. As relações sociais são redefinidas espacialmente como um habitat e este ambiente físico e geográfico estende-se para os populosos subúrbios e para as zonas urbanas degradadas e abandonadas. Estas obras cinematográficas podem ser vistas como registos da resistência da cidade à transformação humana, como se o ambiente urbano tivesse uma vida própria que afecta de modo decisivo a vida dos seus habitantes. Este ambiente destrutivo e desagradável é um fruto e uma imagem do capitalismo.

Por fim, a casa do noir é, muitas vezes, um espaço privado estranho, vulnerável à insegurança vivida no espaço público. As interacções entre pessoas são, por essa razão, tipicamente encenadas em espaços comuns. As casas oscilam, contrastantes, entre as habitações sumptuosas dos vilões e a normalidade acolhedora das vulgares casas de família que é ameaçada ou destruída.

“O cinema constrói um olhar e nós temos de questionar esse olhar”

23.11.2016


© Mariana Castro, 2016.


O indispensável À Pala de Walsh publicou ontem uma entrevista que concedi ao Luís Mendonça na Cinemateca Portuguesa - Museu do Cinema (CP-MC) a pretexto do meu livro Por Dentro das Imagens: Obras de Cinema, Ideias do Cinema — na verdade, uma longa conversa informal sobre cinema e outros temas que não lhe são estranhos. Levou o título “O cinema constrói um olhar e nós temos de questionar esse olhar” e pode ser lida aqui. Agradeço a generosidade das perguntas do Luís e o olho paciente da Mariana que as suas fotografias tão bem revelam.

A informação é mencionada na introdução do texto, mas repito-a: o livro será apresentado no dia 30 de Novembro, às 19h, na libraria Linha de Sombra, na CP-MC, pelo Tiago Baptista (CP-MC/Universidade Católica Portuguesa). Estendo a minha gratidão ao João Coimbra Oliveira da Linha de Sombra pela disponibilidade e ajuda na organização deste evento.

O Cinema Olha a Música (7)

22.11.2016


Jazz on a Summer’s Day (“Jazz num Dia de Verão”, 1959).



Bird (Bird - Fim do Sonho, 1988).


Estes filmes serão mostrados amanhã nas Sessões do Carvão, o primeiro às 18:30, o segundo às 21:30.

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International Conference on Space and Cinema

20.11.2016

O Cinema Olha a Música (6)

01.11.2016


No Direction Home: Bob Dylan (2005).


Este filme será mostrado amanhã nas Sessões do Carvão, a primeira parte às 18:30, a segunda parte às 21:30.

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Ano do Cinema Russo

14.11.2016