Maria Cabral (1941-2017)

16.01.2017


O Cerco (1970).

A Vida da Fantasia

13.01.2017


Super 8.


Foi publicado hoje o meu terceiro artigo para o jornal electrónico AbrilAbril. Pode ser lido aqui. Decidi escrever sobre uma obra cinematográfica que muito admiro, Super 8 (2011), realizado por J. J. Abrams, e sobre a ligação entre a fantasia e a vida. O filme será mostrado amanhã na Cinemateca Portuguesa – Museu do Cinema, às 15h00, no Salão Foz. A sessão integra a programação da “Cinemateca Júnior”.

Ecos na Solidão

09.01.2017


Scream.


Que lugar para o espectador? Que lugar para a sua solidão? Há filmes contemporâneos que trabalham uma maior implicação de quem vê — da personagem, do espectador. Alfred Hitchcock disse uma vez que gostava de brincar com a assistência como se de um piano se tratasse. Mas esta ideia ainda pressupõe uma certa distância, eventualmente reconhecida e medida pelo espectador. Pelo contrário, o que filmes como Scream (Gritos, 1996) constroem é um espectador implicado por meio de um jogo conceptual e subtil. A cena que abre o filme tem uma dimensão ontológica. Uma rapariga (Drew Barrymore) tem o televisor ligado, faz pipocas, brinca com um conjunto de facas de cozinha — atende o telefone e ouve uma voz desconhecida. É ameaçada, mas a ameaça não tem corpo. O que a intimida saiu do filme de terror que ela se preparava para ver. As perguntas a que ela é obrigada a responder testam o conhecimento dela sobre este género de filmes, ou seja, o seu conhecimento sobre a sua situação. “A questão não é quem eu sou, mas onde estou”, diz-lhe a voz. A partir de um rigoroso uso de planos que não correspondem à visão dela, mas ao movimento do seu corpo no espaço, e depois da ruptura com a estabilidade visual, nomeadamente através da utilização de enquadramentos oblíquos, Wes Craven conseguiu criar uma verdadeira arquitectura da tensão e do medo. Ao furtar o lugar seguro ao espectador, o cinema confronta-o com a sua solidão. O espaço como conjunto de imagens sucessivas estreita-se na subjectividade. Em Strange Days (Estranhos Prazeres, 1995), um longo plano-sequência, totalmente subjectivo, mostra a fuga de um assaltante até à sua queda de uma cobertura alta. Mostra? Mostra ou fixa? Acompanha.


Strange Days.

2016

01.01.2017


Cìkè Niè Yinniáng.


Não vi todos os filmes estreados em Portugal ao longo de 2016 que queria. Mas guardo estes na memória para os revisitar mais tarde. · I didn’t see all the films released in Portugal throughout 2016 that I wanted. But I keep these in my memory to revisit them later.

99 Homes (2014), real.·dir. Ramin Bahrani
Arrival (2016), real.·dir. Denis Villeneuve
Cìkè Niè Yinniáng (2015), real.·dir. Hsiao-Hsien Hou
Conjuring 2, The(2016), real.·dir. James Wan
Fuocoammare (2016), real.·dir. Gianfranco Rosi
I, Daniel Blake (2016), real.·dir. Ken Loach
Innocentes, Les (2016), real.·dir. Anne Fontaine
Loi di marché, La (2015), real.·dir. Stéphane Brizé
Love & Friendship (2016), real.·dir. Whit Stillman
Love Is Strange (2014), real.·dir. Ira Sachs
Nostalgia de la luz (2010), real.·dir. Patricio Guzmán
Ombre des femmes, L’ (2015), real.·dir. Philippe Garrel
Rak ti Khon Kaen (2015), real.·dir. Apichatpong Weerasethakul
Saul fia (2015), real.·dir. László Nemes
Spotlight (2015), real.·dir. Tom McCarthy
Sully (2016), real.·dir. Clint Eastwood
+
Lemonade (2016), real.·dir. Dikayl Rimmasch, Beyoncé Knowles Carter, Jonas Åkerlund, Kahlil Joseph, Melina Matsoukas, Mark Romanek, Todd Tourso

O Cinema Olha a Música (11)

20.12.2016


Thirty Two Short Films about Glenn Gould (32 Curtas Metragens sobre Glenn Gould, 1993).



Fantasia (19640).


Estes filmes serão mostrados amanhã nas Sessões do Carvão, o primeiro às 18:30, o segundo às 21:30.

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Filosofia e as Artes

16.12.2016


Foi agora publicado o livro que reúne os contributos de académicos e artistas para o cruzamento entre a filosofia e as artes, a partir de um evento que decorreu em Abril deste ano na Universidade do Minho. Esta publicação, organizada por Steven S. Gouveia e com um prefácio de Thomas E. Wartenberg, inclui um pequeno ensaio meu sobre o filósofo Walter Benjamin e a arte fotográfica. Pode ser adquirido aqui.

A Voz de Dan

15.12.2016


I, Daniel Blake.


O jornal Avante! publica hoje um artigo que escrevi sobre o filme I, Daniel Blake (Eu, Daniel Blake, 2016), realizado por Ken Loach. A versão electrónica deste texto, a que dei o título “A Voz de Dan”, está disponível aqui.

O Cinema Olha a Música (10)

14.12.2016


Tous les matins du monde (Todas as Manhãs do Mundo, 1991).



Chronik der Anna Magdalena Bach (Crónica de Ana Madalena Bach, 1968).


Estes filmes serão mostrados hoje nas Sessões do Carvão, o primeiro às 18:30, o segundo às 21:30.

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O Cinema Olha a Música (9)

07.12.2016


Y... tenemos sabor (“E... Teremos Sabor”, 1967).



Buena Vista Social Club (1999).


Estes filmes serão mostrados hoje nas Sessões do Carvão, o primeiro às 18:30, o segundo às 21:30. O primeiro filme substitui o inicialmente programado El Benny (2006), do qual não foi possível assegurar uma cópia.

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Observing the Unobserved

02.12.2016


Foreign Parts.


This year’s Forum of the Real, organised by the film festival Porto/Post/Doc in partnership with CITAR (Research Center for Science and Technology of the Arts - Catholic University of Portugal), discusses the concept of “sensory cinema” in three panels. I was invited to participate in the second panel (“About Sensory Cinema”), along with film scholars Cornelia Lund and Thomas Weber (University of Hamburg) and Iván Villarmea Alvarez (University of Santiago de Compostela). This session takes place today at 2pm. It will be chaired by film programmer Justine Duay.

The talks are to be informal and not purely academic, but I have sketched a direction for my talk and even gave a title to the sketch: “Observing the Unobserved: Thinking Through Sensory Cinema with Walter Benjamin”. Here it is:

For those who have never watched one of its films, the wave of sensory cinema may sound like a documentary film practice that reduces spectatorship to sense-experience. This, of course, implies a kind of ahistorical approach and alienating effect, which contradicts the emancipatory possibilities opened by new technologies. Walter Benjamin’s perceptive reflections on technology, aesthetics, and art allow us to make sense of sensory cinema. On the one hand, he argued that the development of technology in the capitalist mode of production forces a utilisation that alienates humanity from itself, changing its sense perception and showing its own destruction as a spectacle. On the other hand, technology may be used as an aid that grounds human beings in the world, making them conscious of their natural, historical, and social facets. The camera is particularly apt to reveal elements of reality that may register in our senses, but that are not consciously processed. This is the reason why, according to Benjamin, film gives us access to an optical unconscious. The Sensory Ethnography Lab at Harvard University uses film technology in such a way. Its ethnographical dimension puts forward an understanding of art as a way of knowing peoples and cultures, expanding the aesthetics of film and problematising the politics of portrayal. These ideas will be developed through the analysis of Foreign Parts (2010), directed by Verena Paravel and J.P. Sniadecki. The film focuses on the community of outcasts who live in Willets Point and survive by working in auto repair shops and junk-yards. This industrial neighborhood is about to be demolished to make room for a huge urban redevelopment project by the large company Bloomberg. The hallmark of this work is how it details the lives of these people and their visitors by amplifying sensory elements though the use of digital technologies. Since different methods of observation are a key part of ethnographic research, we may say that Foreign Parts observes the socially unobserved, giving it aesthetic qualities that amount to an incisive portrait.