WORLD POLL

26.01.2026

Sinners.

Issue 116 of Senses of Cinema is now out, and I’ve contributed to the World Poll, highlighting ten films from 2025 in alphabetical order.

No Other Choice (Eojjeolsuga eobsda, Park Chan-wook, 2025)
A House of Dynamite (Kathryn Bigelow, 2025)
The Life of Chuck (Mike Flanagan, 2024)
One Battle After Another (Paul Thomas Anderson, 2025)
The Phoenician Scheme (Wes Anderson, 2025)
The Shrouds (David Cronenberg, 2024)
Sinners (Ryan Coogler, 2025)
Sirât (Oliver Laxe, 2025)
Wake Up Dead Man (Rian Johnson, 2025)
It Was Just an Accident (Yek tasadof-e sadeh, Jafar Panahi, 2025)

Ten films are hardly enough to account for a year of cinematic art – and I am still catching up with important titles such as The Secret Agent (O Agente Secreto, Kleber Mendonça Filho, 2025), The Mastermind (Kelly Reichardt, 2025), or I Only Rest in the Storm (O Riso e a Faca, Pedro Pinho, 2025). Other films, including Drop (Christopher Landon, 2025), Souleymane’s Story (L’histoire de Souleymane, Boris Lojkine, 2024), or Young Mothers (Jeunes mères, Jean-Pierre and Luc Dardenne, 2025), also came close to making the list – and are well worth seeking out. These ten titles highlight particularly compelling examples of fiction cinema released in 2025. I limited the scope to fiction films not because documentary is less important, but because I wanted to focus on constructed worlds, where meaning emerges through mise en scène, image, sound, and genre rather than direct record. The selection is guided by clear stylistic imprint and a strong sense of variety: they look, sound, move, and think differently. Several work through genre – thriller, horror, mystery, action – using recognisable frameworks to process power, belief, race, violence, and collective anxiety. Others move in the opposite direction, toward austerity or contemplation, privileging duration, landscape, and bodily presence over narrative payoff. Ways of looking at people – and of staying with them – recur throughout the list. What matters is not only who these films attend to, but how that attention is shaped aesthetically. Some articulate a reparative mode, grounded in attention, ritual, music, and communal survival. Others push toward harsher, tragic registers, where choices are constrained and loss takes hold. Taken together, these films suggest cinema as a humanist endeavour that remains plural, contested, and driven by form.

You can read other picks and observations here.

REVIEW OF JAMES LORENZ’S THE THEOLOGICAL POWER OF FILM

23.01.2026

The latest issue of the Irish Theological Quarterly includes a book review I wrote of James Lorenz’s The Theological Power of Film, which I describe as “a confident and meticulously argued contribution to the increasingly sophisticated field of theology and film”. It is available here.

JOÃO BOTELHO: “FILMO UM TEXTO COMO SE FOSSE UM ROSTO”

08.01.2026


Recebi hoje a minha cópia do livro João Botelho: “Filmo um texto como se fosse um rosto”, organizado por Golgona Anghel, a quem muito agradeço o empenho e a perseverança na publicação desta obra. Esta colecção de ensaios tem um conjunto de contribuições relevantes para o estudo da obra cinematográfica de João Botelho na sua relação com a literatura, nomeadamente um texto de um colega do meu departamento na Universidade de Coimbra, Manuel Portela, sobre a montagem do livro em Filme do Desassossego (2010). Inclui ainda capítulos de Alexandra Lopes, António Guerreiro, Daniel Ribas, Elisabete Marques, Fernando Cabral Martins, Fernando Guerreiro, João Dionísio, Maria Brás Ferreira, Mário Avelar, Paulo Cunha, Ricardo Vieira Lisboa, e Susana Nascimento Duarte. O meu capítulo tem o título “Uma Personagem na História: Filmar O Ano da Morte de Ricardo Reis”.

APRESENTAÇÃO DE JUSTA

07.01.2026


Apresentarei amanhã o filme Justa (2025) de Teresa Villaverde, às 21:30, no Centro de Artes e Espetáculos na Figueira da Foz.

RELIGIÃO E CINEMA

05.01.2026

No limiar do novo ano, e ainda com data de 2025, foi publicado um número da REVER: Revista de Estudos da Religião, editada pela PUC São Paulo, coeditado por mim e por Alfredo Teixeira (Universidade Católica Portuguesa), sob o título “Religião e Cinema”. O volume reúne dez artigos que mostram a diversidade e a relevância contemporânea desta área interdisciplinar, hoje particularmente fértil no cruzamento entre estudos religiosos, estudos fílmicos, e cultura visual. Está disponível aqui.

Entre os textos incluídos, há um artigo assinado por mim e por Sofia Cardetas Beato que analisa um conjunto singular de produções audiovisuais no contexto do diálogo inter-religioso entre as comunidades judaicas e católicas no Porto. O número integra ainda o artigo da autoria de Inês Mariano, uma brilhante estudante do Mestrado em Estudos Artísticos cuja dissertação tenho o prazer de orientar, que propõe uma leitura rigorosa e sensível do gesto contemplativo na obra de Wassily Kandinsky e Andrei Tarkovsky.

INTERMEDIALIDADES: “CONTADO POR MULHERES”

05.01.2026

FILM AND THE AESTHETICS OF INCARNATION

05.11.2025

The Addiction (1995).

The Silence (Sokout, 1998).

I will be giving a research seminar at the Centre for Inter-religious Dialogue (CID) at Dublin City University tomorrow. The talk is titled “Film and the Aesthetics of Incarnation: An Interreligious Perspective” and will explore how cinema both shapes and is shaped by religious concepts, lived experiences, and understandings of the divine in embodied form. All are very welcome. More information here.

EMBODIED AND DIASPORIC RESILIENCE

04.11.2025

Amreeka.

Today I’ll be giving a talk titled “Embodied Faith and Diasporic Resilience: Religion and Peacebuilding in Cherien Dabis’s Amreeka” at Trinity College Dublin. In this presentation, I explore how Amreeka (2009) portrays the emotional and cultural journey of a Palestinian Christian family navigating migration, identity, and belonging in the United States, highlighting how small gestures of care and shared domestic life become acts of resilience and peacebuilding. The film offers a quiet yet powerful counter-narrative to dominant post-9/11 representations of Arab identity, and I look forward to discussing its insights on faith, culture, and the everyday practice of coexistence.

HOJE INVESTIGO EU

31.10.2025

Fot. Francisco Soares de Oliveira, FLUC.

O n.º 16 do Magazine Vive as Letras!, publicação trimestral que dá a conhecer pessoas, projectos, e espaços da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, inclui um texto meu enquadrado na rúbrica “Hoje Investigo Eu,” sobre o trabalho de investigação que estou a desenvolver. Está disponível aqui. Aqui deixo o texto integral:

Encontro-me atualmente em licença sabática—uma pausa letiva que tem sido, na verdade, muito ativa no plano da investigação, como deve ser. Neste tempo, tenho aprofundado um tema inserido numa questão mais ampla que tem guiado grande parte do meu percurso como investigador e docente: de que formas o cinema expressa diferentes mundivisões? O tema que hoje me ocupa é, mais especificamente, o das relações entre o cinema e a religião. Investigo como o cinema—essa arte do olhar e da escuta—nos pode ajudar a enfrentar os desafios espirituais e sociais do nosso tempo: a diversidade religiosa, o conflito, o desejo de diálogo num mundo onde, tantas vezes, se fala alto e se escuta pouco.

Como docente da Faculdade de Letras e investigador do Centro de Estudos Interdisciplinares da Universidade de Coimbra (CEIS20)—duas casas das Artes e Humanidades que partilham um mesmo espírito de curiosidade e abertura à experiência humana, à cultura, às formas simbólicas, às expressões criativas e aos modos de sentido através dos quais entendemos e representamos o mundo—aprendi que pensar é partir de uma disciplina, mas não encerrar-me nela. Pensar, afinal, é atravessar fronteiras: entre a arte, a teologia e os estudos religiosos; entre a estética e a ética; entre o visível e o invisível. Esse impulso interdisciplinar é o que me guia—o de compreender como o cinema pode ser, ao mesmo tempo, espelho e ponte.

O cinema interessa-me, sobretudo, porque encarna. É feito de corpos, de luz, de movimento, e de tempo—de tudo o que nos recorda que a experiência humana é, em simultâneo, material e espiritual. Alguns filmes tornam-se verdadeiras orações em imagens: formas de atenção ao mundo e às suas feridas. É por isso que o meu trabalho tem procurado compreender como o cinema nos ensina a ver o sagrado no quotidiano, a transcendência na matéria e a possibilidade de reconciliação na diferença.

Tenho-me concentrado em três projetos que deverão dar origem a livros em língua inglesa, atualmente em diferentes fases de desenvolvimento—do mais ao menos avançado. O primeiro é dedicado ao cinema e à estética da encarnação. Parte da ideia de que o cinema é uma arte privilegiada para explorar a tensão entre imanência e transcendência, articulando a noção de presença com os conceitos de graça e de sacramento, a partir de uma abordagem fenomenológica e plurirreligiosa. O segundo centra-se no cinema, na religião e na superação da violência. Analisa as representações cinematográficas de conflitos religiosos e os processos de pacificação e reconciliação, propondo o cinema como uma verdadeira escola de paz, fundada numa apreciação artística em que a empatia e a memória abrem caminho à reconciliação. O terceiro examina e expande o contributo do cinema para o diálogo inter-religioso. Procura formular metodologias para compreender o cinema como território de encontro entre diversas tradições de fé, ampliando o olhar e desarmando preconceitos.

Estes projetos ligam-se diretamente ao trabalho que coordeno na FID: Film and Interreligious Dialogue, sediada no CEIS20. A FID é uma rede internacional de investigação que reúne membros interessados em estudar a dimensão cinematográfica da religião e em aperfeiçoar o cinema como espaço de diálogo. Desenvolve investigação que procura fortalecer a igualdade cultural e religiosa, articulando-a com questões étnicas, de género e raciais. Através de sessões de cinema, debates, conferências, seminários, publicações, ações pedagógicas e outras atividades, a FID procura fazer do cinema um idioma de convivência—um lugar onde a diferença se reconhece sem se anular.

Tenho procurado fortalecer os laços internacionais nesta linha de trabalho, colaborando com instituições como a Duke University, nos Estados Unidos, onde estive recentemente dois meses como investigador visitante. Visitarei outras instituições na Irlanda, em Espanha, e em Itália, num esforço que não se mede apenas em publicações ou na expansão de redes de contacto, mas em conversas demoradas, ideias partilhadas e encontros improváveis—passos de um caminho que pensa o cinema como uma arte que coloca, no centro da sua expressão, a hospitalidade e a alteridade.

MUNDOS AMBÍGUOS

23.10.2025

Honeyland – A Terra do Mel.

Apresento hoje uma comunicação como um dos oradores principais do XI Encuentro Ibérico de Estética, a decorrer na Universidade de Salamanca. Agradeço à organização deste encontro—em especial ao Vítor Guerreiro e à Rosa Benéitez Andrés—pela generosidade do convite e pela lucidez com que propôs, como tema comum, um conceito cuja força reside precisamente na recusa de se estabilizar: a ambiguidade.

A minha palestra tem com título “Mundos Ambíguos: Estética do Cinema e a Lógica Irresolvida das Mundivisões.” Nela defendo, com base numa noção ampla de mundivisão, que a ambiguidade pode constituir uma lógica estética e ontológica do cinema: mais do que representar, o cinema faz mundo e dá a experienciar o ser no mundo, convidando uma hermenêutica da experiência que não se resolve no plano da interpretação. Analiticamente, descrevo mecanismos de ambiguidade formal e exploro-os em dois casos: A Árvore da Vida (The Tree of Life, 2011) de Terrence Malick e Honeyland – A Terra do Mel (Medena zemja, 2019) de Tamara Kotevska e Ljubomir Stefanov. Estes são filmes que expressam mundivisões espirituais e ecológicas ambíguas, revelando o divino e o não-humano como dimensões interligadas do sensível.