RELIGIÃO E CINEMA

05.01.2026

No limiar do novo ano, e ainda com data de 2025, foi publicado um número da REVER: Revista de Estudos da Religião, editada pela PUC São Paulo, coeditado por mim e por Alfredo Teixeira (Universidade Católica Portuguesa), sob o título “Religião e Cinema”. O volume reúne dez artigos que mostram a diversidade e a relevância contemporânea desta área interdisciplinar, hoje particularmente fértil no cruzamento entre estudos religiosos, estudos fílmicos, e cultura visual. Está disponível aqui.

Entre os textos incluídos, há um artigo assinado por mim e por Sofia Cardetas Beato que analisa um conjunto singular de produções audiovisuais no contexto do diálogo inter-religioso entre as comunidades judaicas e católicas no Porto. O número integra ainda o artigo da autoria de Inês Mariano, uma brilhante estudante do Mestrado em Estudos Artísticos cuja dissertação tenho o prazer de orientar, que propõe uma leitura rigorosa e sensível do gesto contemplativo na obra de Wassily Kandinsky e Andrei Tarkovsky.

INTERMEDIALIDADES: “CONTADO POR MULHERES”

05.01.2026

FILM AND THE AESTHETICS OF INCARNATION

05.11.2025

The Addiction (1995).

The Silence (Sokout, 1998).

I will be giving a research seminar at the Centre for Inter-religious Dialogue (CID) at Dublin City University tomorrow. The talk is titled “Film and the Aesthetics of Incarnation: An Interreligious Perspective” and will explore how cinema both shapes and is shaped by religious concepts, lived experiences, and understandings of the divine in embodied form. All are very welcome. More information here.

EMBODIED AND DIASPORIC RESILIENCE

04.11.2025

Amreeka.

Today I’ll be giving a talk titled “Embodied Faith and Diasporic Resilience: Religion and Peacebuilding in Cherien Dabis’s Amreeka” at Trinity College Dublin. In this presentation, I explore how Amreeka (2009) portrays the emotional and cultural journey of a Palestinian Christian family navigating migration, identity, and belonging in the United States, highlighting how small gestures of care and shared domestic life become acts of resilience and peacebuilding. The film offers a quiet yet powerful counter-narrative to dominant post-9/11 representations of Arab identity, and I look forward to discussing its insights on faith, culture, and the everyday practice of coexistence.

HOJE INVESTIGO EU

31.10.2025

Fot. Francisco Soares de Oliveira, FLUC.

O n.º 16 do Magazine Vive as Letras!, publicação trimestral que dá a conhecer pessoas, projectos, e espaços da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, inclui um texto meu enquadrado na rúbrica “Hoje Investigo Eu,” sobre o trabalho de investigação que estou a desenvolver. Está disponível aqui. Aqui deixo o texto integral:

Encontro-me atualmente em licença sabática—uma pausa letiva que tem sido, na verdade, muito ativa no plano da investigação, como deve ser. Neste tempo, tenho aprofundado um tema inserido numa questão mais ampla que tem guiado grande parte do meu percurso como investigador e docente: de que formas o cinema expressa diferentes mundivisões? O tema que hoje me ocupa é, mais especificamente, o das relações entre o cinema e a religião. Investigo como o cinema—essa arte do olhar e da escuta—nos pode ajudar a enfrentar os desafios espirituais e sociais do nosso tempo: a diversidade religiosa, o conflito, o desejo de diálogo num mundo onde, tantas vezes, se fala alto e se escuta pouco.

Como docente da Faculdade de Letras e investigador do Centro de Estudos Interdisciplinares da Universidade de Coimbra (CEIS20)—duas casas das Artes e Humanidades que partilham um mesmo espírito de curiosidade e abertura à experiência humana, à cultura, às formas simbólicas, às expressões criativas e aos modos de sentido através dos quais entendemos e representamos o mundo—aprendi que pensar é partir de uma disciplina, mas não encerrar-me nela. Pensar, afinal, é atravessar fronteiras: entre a arte, a teologia e os estudos religiosos; entre a estética e a ética; entre o visível e o invisível. Esse impulso interdisciplinar é o que me guia—o de compreender como o cinema pode ser, ao mesmo tempo, espelho e ponte.

O cinema interessa-me, sobretudo, porque encarna. É feito de corpos, de luz, de movimento, e de tempo—de tudo o que nos recorda que a experiência humana é, em simultâneo, material e espiritual. Alguns filmes tornam-se verdadeiras orações em imagens: formas de atenção ao mundo e às suas feridas. É por isso que o meu trabalho tem procurado compreender como o cinema nos ensina a ver o sagrado no quotidiano, a transcendência na matéria e a possibilidade de reconciliação na diferença.

Tenho-me concentrado em três projetos que deverão dar origem a livros em língua inglesa, atualmente em diferentes fases de desenvolvimento—do mais ao menos avançado. O primeiro é dedicado ao cinema e à estética da encarnação. Parte da ideia de que o cinema é uma arte privilegiada para explorar a tensão entre imanência e transcendência, articulando a noção de presença com os conceitos de graça e de sacramento, a partir de uma abordagem fenomenológica e plurirreligiosa. O segundo centra-se no cinema, na religião e na superação da violência. Analisa as representações cinematográficas de conflitos religiosos e os processos de pacificação e reconciliação, propondo o cinema como uma verdadeira escola de paz, fundada numa apreciação artística em que a empatia e a memória abrem caminho à reconciliação. O terceiro examina e expande o contributo do cinema para o diálogo inter-religioso. Procura formular metodologias para compreender o cinema como território de encontro entre diversas tradições de fé, ampliando o olhar e desarmando preconceitos.

Estes projetos ligam-se diretamente ao trabalho que coordeno na FID: Film and Interreligious Dialogue, sediada no CEIS20. A FID é uma rede internacional de investigação que reúne membros interessados em estudar a dimensão cinematográfica da religião e em aperfeiçoar o cinema como espaço de diálogo. Desenvolve investigação que procura fortalecer a igualdade cultural e religiosa, articulando-a com questões étnicas, de género e raciais. Através de sessões de cinema, debates, conferências, seminários, publicações, ações pedagógicas e outras atividades, a FID procura fazer do cinema um idioma de convivência—um lugar onde a diferença se reconhece sem se anular.

Tenho procurado fortalecer os laços internacionais nesta linha de trabalho, colaborando com instituições como a Duke University, nos Estados Unidos, onde estive recentemente dois meses como investigador visitante. Visitarei outras instituições na Irlanda, em Espanha, e em Itália, num esforço que não se mede apenas em publicações ou na expansão de redes de contacto, mas em conversas demoradas, ideias partilhadas e encontros improváveis—passos de um caminho que pensa o cinema como uma arte que coloca, no centro da sua expressão, a hospitalidade e a alteridade.

Mundos Ambíguos

23.10.2025

Honeyland – A Terra do Mel.

Apresento hoje uma comunicação como um dos oradores principais do XI Encuentro Ibérico de Estética, a decorrer na Universidade de Salamanca. Agradeço à organização deste encontro—em especial ao Vítor Guerreiro e à Rosa Benéitez Andrés—pela generosidade do convite e pela lucidez com que propôs, como tema comum, um conceito cuja força reside precisamente na recusa de se estabilizar: a ambiguidade.

A minha palestra tem com título “Mundos Ambíguos: Estética do Cinema e a Lógica Irresolvida das Mundivisões.” Nela defendo, com base numa noção ampla de mundivisão, que a ambiguidade pode constituir uma lógica estética e ontológica do cinema: mais do que representar, o cinema faz mundo e dá a experienciar o ser no mundo, convidando uma hermenêutica da experiência que não se resolve no plano da interpretação. Analiticamente, descrevo mecanismos de ambiguidade formal e exploro-os em dois casos: A Árvore da Vida (The Tree of Life, 2011) de Terrence Malick e Honeyland – A Terra do Mel (Medena zemja, 2019) de Tamara Kotevska e Ljubomir Stefanov. Estes são filmes que expressam mundivisões espirituais e ecológicas ambíguas, revelando o divino e o não-humano como dimensões interligadas do sensível.

Presentations in Dublin

24.09.2025


In early November, I will be in Dublin to present two papers arising from my sabbatical research. On November 4, I will speak at Trinity College Dublin on “Embodied Faith and Diasporic Resilience: Religion and Peacebuilding in Cherien Dabis’s Amreeka (2009).” On November 6, I will present “Film and the Aesthetics of Incarnation: An Interreligious Perspective” at Dublin City University. I am grateful to Melanie Otto (TCD) and Peter Admirand (DCU) for these opportunities.

Eureka! #7: Arte e Trabalho

12.09.2025

The Detailed Study of Films: Adjusting Attention

31.07.2024

The first article for the special issue I’m editing in Arts, titled “The Detailed Study of Films: Adjusting Attention”, has just been published. The call for papers remains open. Please consider submitting your work. The issue is available here.

Beat Film

19.07.2025

Pull My Daisy (1959).

Issue 114 of Senses of Cinema is now out. It includes my article “Beat Film: Jack Kerouac’s Writing and Reading for Pull My Daisy. Enjoy and support independent film criticism.