O Cinema Libertado

11.09.2020

Foi ontem publicado um balanço da edição do CineAvante! deste ano no jornal Avante!, que pode ser lido aqui. Foi diferente, mas continuou o essencial. Claramente, as pessoas desejavam ver filmes depois de meses em que as salas de cinema estiveram encerradas. Ou seja, o PCP e a Festa do Avante! libertaram o cinema e garantiram o acesso a bens culturais que permanecem inacessíveis em muitas regiões do País.

Apresentação de O Trabalho das Imagens na Festa do Livro

07.09.2020

Imagens da apresentação do meu livro O Trabalho das Imagens: Estudos sobre Cinema e Marxismo na Festa do Livro da Festa do Avante. O meu profundo agradecimento à Raquel Schefer, pela leitura atenta e pelo elogio fundamentado. E também a todas as pessoas que lá estiveram — incluindo o grupo de camaradas que me cantou os parabéns naquela ocasião tão pública, com a música de ”A Internacional“ (como deve ser, portanto), instigado pela artífice do inesperado Ana Gusmão. Disseram-me que o livro esgotou e só posso ficar contente com esta demonstração de interesse que espelha a utilidade da publicação. Como escrevi: ”Um livro que resulta de investigações não é escrito apenas por uma pessoa, muito menos um volume sobre cinema e marxismo — de estudos, mas também de luta.“

O Trabalho das Imagens na Festa do Livro

26.08.2020

No segundo dia da Festa do Avante! deste ano, 5 de Setembro, às 17:30, o meu livro mais recente, O Trabalho das Imagens: Estudos sobre Cinema e Marxismo, terá uma sessão de apresentação comigo e a Raquel Schefer, a quem agradeço desde já. Mais detalhes sobre sessão aqui.

Divulgo também o programa da Festa do Livro e as suas regras de funcionamento, que visam garantir a segurança de participantes e visitantes.

Seis Anos ao Serviço da AIM

29.07.2020

Entre 2014 e 2020, contei seis anos ao serviço da AIM - Associação de Investigadores da Imagem em Movimento, cumprindo diversas funções na Direcção (Vogal, Tesoureiro, Presidente). Escuso de dizer que a AIM tem sido uma parte importante da minha vida pessoal e académica. Continuará a ser. A verdade é que não é fácil manter uma associação viva, sem conflitos que a ponham em causa, sem falta de gente com espírito associativo que disponha do seu tempo para a manter em funcionamento, com um projecto de futuro. Temos conseguido — e a recém-eleita direcção, encabeçada pela Filipa Rosário, aí está para o provar! A AIM foi fundada por um grupo de pessoas a quem devemos agradecer a iniciativa: a Ana Soares, o Daniel Ribas, o Paulo Cunha, o Paulo Granja, e o Tiago Baptista. Correspondeu à vontade de reunir investigadores da imagem em movimento em Portugal que têm objectos e temas de pesquisa em comum. É uma entidade representativa, mas também um espaço de fortes laços de amizade entre os seus membros. Diria que só assim é que vale a pena.

O Trabalho das Imagens

29.07.2020

Como é que se costuma dizer? Não há fome que não dê em fartura. Já tinha saído um livro meu este ano, Escrita em Movimento: Apontamentos Críticos sobre Filmes, pela Documenta. Esta semana foi publicado um segundo livro pela Editora Página a Página, O Trabalho das Imagens: Estudos sobre Cinema e Marxismo. É uma obra mais académica, mas não demasiado especializada ou restrita. Já está disponível aqui a preço de lançamento. Esta passagem é da introdução:

Marx e a sua obra não devem ser objecto de idolatria, mas de um trabalho sério e aberto. O socialismo produziu, infelizmente, nalguns casos, cultos não só a dirigentes, mas também ao Estado, promovendo a aceitação do seu poder abusivo e discricionário e a degradação do seu carácter popular. A verdade é que o marxismo não é uma cura para o erro humano, mas dá-nos instrumentos para reconhecermos e corrigirmos esses desvios. Já os chamados pós-marxismo ou neo­‑marxismo, marxismos que surgem com apêndices, são formas de utilizar os contributos de Marx apenas como evocação ou caução para os distorcer, colaborando objectivamente com algumas agendas que nada têm de progressista. Precisamos de desenvolvimentos críticos e criativos no marxismo que partam da obra de Marx para promover a explicação e a transformação do mundo em que vivemos, escapando ao idealismo do pensamento pós-moderno entranhado em muita da crítica cultural contemporânea. O cinema tem contributos a dar e a receber nesse processo.

Imagem em Movimento e Cultura Visual

27.07.2020

O n.º 10 da revista CEM: Cultura, Espaço & Memória já saiu, ainda com data de 2019. O dossier temático é dedicado ao tema “Imagem em Movimento e Cultura Visual” e editado por Hugo Barreira (Universidade do Porto) e Pedro Alves (Universidade Católica Portuguesa). Fui convidado a colaborar na arbitragem científica. Não faltam aqui ensaios que vale a pena ler com atenção.

Cinema no Jardim

09.07.2020


O Mundo Secreto de Arriety.


Nós.

O Teatrão desafiou-me a escolher quatro filmes, dois mais dois, para serem mostrado no jardim da Oficina Municipal do Teatro em Coimbra. A entrada para um filme custa 2,50 euros. Para dois, custa 4 euros.

São dois filmes de um dos mais importantes realizadores japoneses a trabalhar no cinema de animação, Hiromasa Yonebayashi, produzidos pelos famosos Estúdios Ghibli. O mundo da infância é aqui representado de forma imaginativa como um momento de descobertas intensas da complexidade da vida.

As duas longas-metragens de Jordan Peele afirmaram-no como um dos grandes autores contemporâneos do cinema de terror feito nos EUA. A sua obra insere-se na linhagem à qual pertencem cineastas como George A. Romero, que entendem este género cinematográfico como comentário social, politicamente consciente.

Eis a programação:

18 JUL., 21:00
O Mundo Secreto de Arriety (Kari-gurashi no Arietti, 2010), real. Hiromasa Yonebayashi

18 JUL., 23:00
Foge (Get Out, 2017), real. Jordan Peele

25 JUL., 21:00
As Memórias de Marnie (Omoide no Marnie, 2014), real. Hiromasa Yonebayashi

25 JUL., 23:00
Nós (Us, 2019), real. Jordan Peele

Espelhos do “Film Noir” no “A Ronda da Noite”

02.07.2020

Na última edição do programa da Antena 2 “A Ronda da Noite”, Inês Lourenço fala elogiosamente sobre a colectânea de ensaios Espelhos do “Film Noir”. O programa está disponível para ser ouvido aqui.

O Agora de Outrora: O Cinema de Silas Tiny

30.06.2020

Saiu o número 6 da Vista: Revista de Cultura Visual, publicada pela SOPCOM - Associação Portuguesa de Ciências da Comunicação. Foi editado em boa hora por Ana Cristina Pereira, Michele Sales, e Rosa Cabecinhas com o título “(In)Visibilidades: Imagem e Racismo” e pode ser acedido aqui. Inclui um conjunto de artigos que “mais do que dar visibilidade procura-se mostrar o quão invisível permanece uma parte substancial do visível – tornar visível a própria invisibilidade, na impossibilidade de recuperar o que foi sistemática e prolongadamente apagado”, como se pode ler na introdução. Resumi o meu contributo, “O Agora de Outrora: O Cinema de Silas Tiny”, desta forma:

Este artigo analisa a obra do cineasta documental Silas Tiny, nascido em São Tomé e Príncipe, salientando a sua importância no modo como examina criticamente o período do poder colonial português sobre regiões africanas que se libertaram dessa dominação após o 25 de abril de 1974. O argumento principal que emerge da análise das suas duas longa-metragens é o de que o seu cinema documental se constrói a partir de imagens-dialécticas, no sentido que lhe é dado por Walter Benjamin e o seu pensamento crítico. A questão que ocupa Tiny é a da superação da relação temporal entre passado e presente por uma relação dialética entre o que foi (o outrora) e o que é (o agora). Bafatá, na Guiné-Bissau, é filmada pelo realizador em Bafatá Filme Clube (2012) como uma cidade-fantasma, povoada por espectros e aparições de defuntos num local à beira da extinção. O cinema é desta forma assumido como arte espectral que liga o presente ao passado, unindo a memória à ruína. Na obra seguinte, O Canto do Ossobó (2017), Tiny lida com as suas raízes pessoais. É, em simultâneo, um reencontro com São Tomé e um encontro com a sua história — ou talvez seja um encontro com esse lugar e um reencontro com a sua história. Este filme visa descobrir e preservar reminiscências, aquilo que lembra o passado, aquilo que o pode conservar na memória, mas sempre de forma incompleta e indefinida.

Serenidade Crítica

20.06.2020

Saiu ontem no Ípsilon uma recensão ao meu mais recente livro, Escrita em Movimento: Apontamentos Críticos sobre Filmes (Lisboa: Documenta, 2020), assinada pelo Carlos Natálio, a quem agradeço a leitura muito atenta. Foi disponibiliza hoje online e pode ser lida aqui.

Visões da Luz

03.06.2020

Soube hoje que foi finalmente publicado o volume Visões da Luz, que tem por base um dos mais interessantes encontros científicos no qual participei: um colóquio verdadeiramente interdisciplinar no âmbito do Ano Internacional da Luz em 2015, organizado pelo Instituto de Investigação Interdisciplinar da Universidade de Coimbra. O meu capítulo para a obra editada pelo Francisco Gil e pela Lídia Catarino tem o título “Nem Luz Pura, Nem Sombra: Nostalgia da Luz como Documentário Poético Politizado” e desenvolve o contributo que apresentei no colóquio. Em consonância com a aposta da instituição no livre acesso ao conhecimento científico, o livro está disponível na plataforma de monografias livremente acessíveis da Imprensa da Universidade de Coimbra aqui.

O Cinema de Ousmane Sembène na África Pós-Colonial

03.06.2020

Foi ontem lançado o segundo volume da colectânea Cinemas Pós-Coloniais e Periféricos, editada por Michelle Sales, Paulo Cunha, e Liliane Leroux, desta vez inserido também no projecto À Margem do Cinema Português, financiado pela Fundação Calouste Gulbenkian. Tal como o anterior volume, este também foi publicado pela Nós por Cá Todos Bem - Associação Cultural de Guimarães, Portugal, e as Edições LCV do Rio de Janeiro, Brasil.

Escrevi um dos ensaios: “‘A Cultura É Política’: O Cinema de Ousmane Sembène na África Pós-Colonial”. A obra inclui ainda trabalhos de Ana Cristina Pereira, Clementino Jesus Junior, Catarina Andrade, Rodrigo Lacerda, Maíra Tristão, Arthur Lins, e Michelle Sales. Pode ser descarregada gratuitamente aqui.

Lançamento de Cinemas Pós-Coloniais e Periféricos, Volume 2

02.06.2020

O segundo volume da colectânea Cinemas Pós-Coloniais e Periféricos vai ser lançado hoje, dia 2 de Junho, às 17h no Brasil e às 21h em Portugal. A apresentação do livro estará a cargo da equipa de organização: Michelle Sales, Paulo Cunha, e Liliane Leroux. Contará também com alguns comentários de quem escreveu os capítulos: Catarina Andrade, Clementino Junior, Ana Cristina Pereira, Rodrigo Lacerda, Maira Tristão, Arthur Lins, e eu. A versão digital e livre do livro será disponibilizada durante a sessão. O vídeo do lançamento pode ser visto em directo aqui.

Escrita em Movimento

01.06.2020

O meu novo livro já está disponível e tem de novo a chancela da Documenta. Tem o título Escrita em Movimento: Apontamentos Críticos sobre Filmes. Mais informação aqui. Deixo um excerto:

Aqui se juntam, essencialmente, artigos publicados em revistas, jornais, e num sítio electrónico. Apesar das diferenças entre estas publicações e das diferentes relações que estabeleci com elas desde o início, houve um aspecto que permaneceu igual na minha escrita para cada uma delas: pude escrever livremente, sem imposições, sem sequer pedidos, em todos os casos. Mas o firme e ousado exercício da liberdade, na crítica como na vida, não pode ser desligado das convicções sobre a arte cinematográfica, o seu valor humanista, o seu entrecruzamento estético e ético, e a sua imaginação de novas percepções. O resto das análises críticas aqui contidas seguem essa linha e têm origem em comentários que preparei para a apresentação ou discussão pública de filmes ou que escrevi quando o tempo e a vontade se conjugaram. Têm diversos tamanhos, mas podem ser todas classificadas como curtas, não ultrapassando as quatro páginas. Contas feitas por alto, esta colectânea condensa 20 anos de apontamentos críticos sobre filmes. Com a expressão apontamentos críticos pretendo sinalizar que sempre os considerei como mesclas de notas críticas sobre algumas obras de cinema às quais procurei dar alguma coerência, mas que podem ser refeitas, complementadas, desenvolvidas. Nalguns casos, foram. Têm uma marca de abertura em vez de fechamento, desta forma reflectindo o carácter inacabado das conversas em torno dos filmes. Neste sentido, esta escrita em movimento responde ao movimento próprio do cinema.

Mulheres Especulares

01.06.2020

Já foi publicado o livro editado por Jeffrey Childs, Espelhos do “Film Noir”, ainda com a data de 2019. Inclui um ensaio meu: “Mulheres Especulares: Género e Desdobramento no Neo-Noir de Brian De Palma”. José Bértolo, Guillaume Bourgois, Luís Mendonça, Jeffrey Childs, Fernando Guerreiro, Ricardo Vieira Lisboa, e José Duarte escreveram os outros capítulos. É uma obra imperdível para quem se interesse pelo film noir. Mais informação aqui.

Michel Piccoli (1925-2020)

18.05.2020


Je rentre à la maison (Vou para Casa/I’m Going Home, 2001).

CFP Materiality and Creative Processes in Portuguese Cinema

18.05.2020

Materiality and Creative Processes in Portuguese Cinema
Google Meet Platform
University of Florence 29-30 Oct. 2020

Confirmed keynote speakers:
Paulo Cunha (University of Beira Interior)
Malte Hagener (Philipps-Universität Marburg)

Following the materiality turn of social sciences and humanities, over the last years research on materiality has also intensified in the scope of film studies and media studies. If applied to cinema, the concept of materiality refers to different elements that interact in the making of a film: tools, objects, technology, places, spaces and bodies.

Several types of substances and materials are included in each film: everything that is filmed and recorded contains in its origin a material history that in its turn becomes part of the material history of the film. Films can be studied as material social practices at the moment when attention is focused on the different aspects on the basis of their own organization: from production to the choice of décor; from the production of the costumes to the building of the sceneries; from assembling the set to photography; from sound design to post-production.

The study of the materiality of cinema commits to observe the various elements that make up the film object in order to enhance the genesis of the creative processes involved there. By disassembling and isolating the different material components, it is possible to better understand the nature of the film as a complex object, which arises from the assembly of unique actions and concrete acts. If we analyze these elements, the history of cinema is enriched with so many micro-stories yet to be told. They are mainly stories of commons people, dedicated to objects, places and bodies that interact with each other. Portuguese cinema is especially rich in these stories.

Anchored to a stronger artisanal perspective in relation to other cinematographies, it has always given a central importance to materiality and it has often been thought of as a materialist cinema, despite the fact that the existing studies hitherto have privileged the author dimension. The “inter-artistic” crafts were put aside in favor of a conception that sees the director as the sole and exclusive responsible for the film. On the contrary, definitions like those of Kubelka, who defined cinematographic creation as “a tailor’s work in progress”, return the deserved space to the importance of these crafts, thanks to which the stone is molded into sculpture, or shapeless fabric is cut into costume, and the sounds are arranged for the creation of voices and silences...

Therefore, it becomes important to (re)think Portuguese cinema in the light of the materiality turn, to investigate practices and technologies and to record the results. In 1989, during the Portuguese premiere of Rosa de Areia, directed by António Reis and Margarida Cordeiro, Reis himself launched the idea of an aesthetics of materials, to highlight new and deep meanings from the raw material from which the movies are made. Considered as one of the founders of Novo Cinema, Reis is still, today, a central point of reference for many contemporary Portuguese filmmakers. Based on this idea, it is then possible to outline the genealogies and future projections of this aesthetics of materials, identifying the multiple traces not only in the experiences related to Novo Cinema and to the Portuguese School, but throughout all the material (and the materials) history of Portuguese cinema. When considering Portuguese cinema as a starting point, proposals on the following topics are encouraged, but not exhaustively:

• historical links, cultural transfers, relations and reciprocal exchanges between Italy and Portugal in the scope of cinema and media;
• genetic criticism and genesis of the film: from production to material practices; - New sources and documents for the study of materiality;
• the phases of the creative process: writing, argument, story board;
• political censorship and self-censorship;
• the actor’s work and the creative process in the gesture and the covered body;
• the work on the set: sets, costumes and props;
• sound technologies: sound design, voices, noises, music;
• visual technologies: film, photography, lighting, new supports and instruments;
• new supports for new formats: the video essay;
• materiality and gender: crafts, knowledge and professionalism in relation to gender identity;
• from material culture to visual culture: objects, bodies and devices as agents of the look.

Proposals, of 300 words, should be sent to the email: cinematic.materialities@gmail.com together with 3 to 5 keywords and a 150-word biography. The deadline for the presentation of the abstract is: 30 June 2020. Admission will be communicated until: 30 July 2020. The presentations have a duration of 20 minutes. The conference languages are: English, Italian, Portuguese and French.The conference will take place entirely online through the Google Meet platform for all sessions.

ORGANIZATION:
Department of History, Archaeology, Geography, Fine and Performing Arts – University of Florence
Institute of Contemporary History - Nova University of Lisbon

BOARD:
Caterina Cucinotta (Nova University of Lisbon)
Federico Pierotti (University of Florence)

SCIENTIFIC COMMITTEE:
Paulo Cunha (University of Beira Interior)
Sérgio Dias Branco (University of Coimbra)
Nívea Faria de Souza (Estácio de Sá University, Rio de Janeiro)
Francesco Giarrusso (University of Lisbon)
Mathias Lavin (University of Poitiers)
Maria do Rosario Lupi Bello (Open University, Lisbon)
António Preto (Higher School of Arts of Porto)
Bruno Roberti (University of Calabria)
Cecilia Salles (Pontifical Catholic University of São Paulo)

As Armas e o Povo

26.04.2020


As Armas e o Povo.

Só vi um pouco, mas a nova cópia digital de As Armas e o Povo (1975), filme colectivo sobre a Revolução de Abril, documento fundamental emanado desse processo, é esplendorosa. A definição das imagens resultante da digitalização 4K do negativo em 35mm foi complementado com uma minuciosa correcção de cor. Passou ontem na RTP. Venha o DVD. A Cinemateca Portuguesa e o seu Arquivo Nacional das Imagens em Movimento merecem que este e outros serviços públicos que prestam sejam devidamente valorizados. Como não posso mandar abraços para a equipa, mando um abraço de agradecimento ao Tiago Baptista, que com certeza tratará de entregar os outros.

Sarah Maldoror (1938-2020)

13.04.2020


Sambizanga (1972).

Bruce Baillie (1931-2020)

13.04.2020


Mass for the Dakota Sioux (1964).

A Vertigem da Forma

01.04.2020


O Couraçado Potemkine.

Nas suas formulações teóricas como nas suas obras cinematográficas, Sergei Eisenstein contrapôs vigorosamente a geometria das formas visuais às dimensões dos referentes reais. O plano surge como elemento desagregador do real que constrói uma unidade própria. Daí que o cineasta soviético tenha descrito o plano como célula de montagem. O processo de montagem não é uma mera síntese, mas uma densa composição criativa. Os elementos estruturais dos fenómenos representados são usados para a construção orgânica do filme. Analisando alguns desenhos da série Carceri de Giovanni Battista Piranesi, Eisenstein comparou a composição arquitectónica à montagem cinematográfica, como um fluxo formal com o potencial de uma explosão sucessiva. Se o espaço arquitectónico pode ser um vertiginoso jogo com a gravidade, Eisenstein utilizou a montagem como uma forma de composição-decomposição-recomposição trepidante de espaços. Cenas como a do massacre na escadaria de Odessa em O Couraçado Potemkine (Bronenosets Potyomkin, 1925) recuperam princípios de montagem em parte descobertos na própria arquitectura, entre o olhar arquitectónico (o movimento do espectador no interior de um objecto fixo) e o olhar cinematográfico (a imobilidade do espectador face à mudança das posições de câmara).

A Câmara Itinerante

31.03.2020


A Corda.

“A moldura polariza o espaço para o interior, enquanto tudo o que o ecrã nos mostra se supõe prolongar-se indefinidamente no universo. A moldura é centrípeta, o ecrã centrífugo”,[1] escreveu André Bazin. O carácter centrífugo do ecrã sobressai quando a câmara deambula, demarcando um itinerário mental com as imagens. É isso que acontece na famosa cena do assassinato em O Crime do Senhor Lange (Le Crime de Monsieur Lange, 1936), dirigido por Jean Renoir, quando a câmara abandona Amédée Lange e roda 360 graus, mostrando o vazio. Na verdade, o que o plano filma é o deslocamento da personagem até ao momento do crime.

A coincidência entre dois tempos fílmicos, o da experiência e o diegético, fará com que a câmara ganhe um desejo de transitar, de se deslocar, de explorar o universo para lá dos limites do quadro. Mas o plano inicial de A Sede do Mal (Touch of Evil, 1958) e os planos rigorosamente encadeados em A Corda (Rope, 1948) são demonstrativos de que esse movimento nem sempre se baseia numa simples noção de continuidade. Nestes casos, o percurso da câmara é descontínuo e experimentado como uma sucessão de momentos e não como um momento único, sem interrupções.

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[1] André Bazin, O Que é o Cinema?, trad. Ana Moura (Lisboa: Livros Horizonte, 1992), 200-1.

Visões Interiores

30.03.2020


Nosferatu, o Vampiro.

O expressionismo alemão foi a figuração de um novo espaço no cinema, a partir do domínio sobre os elementos visuais. Herman George Scheffauer estudou a habilidade dos directores artísticos de filmes como O Golem (Der Golem, Wie er in die Welt kam, 1920) e O Gabinete do Dr. Caligari (Das Kabinett des Doktor Caligari, 1920) em controlarem os componentes cenográficos para construir um universo detalhado. O traço acentuava o exagero visionário e criava imagens com uma nova capacidade envolvente.

Dentro do movimento expressionista, houve um grupo de realizadores germânicos que marcou a história do cinema com as singularidades do seu cinema: Fritz Lang, Friederich Murnau, e G. W. Pabst. Este cinema expressionista juntava a cenografia estilizada e a coreografia dos gestos aos múltiplos reflexos, às sombras alongadas, às perspectivas deformantes — misturava, portanto, a pintura e o teatro no cinema. O famoso Nosferatu, o Vampiro (Nosferatu, eine symphonie des grauens, 1922) é uma das dessas obras assombradas, em que as imagens se tornam portas de entrada para as visões interiores de que falava Kasimir Edschmid.

O Agora de Outrora

21.03.2020


Bafatá Filme Clube.


O Canto do Ossobó.

Que linhas unem a cidade-fantasma de Bafatá Filme Clube (2012) às reminiscências de O Canto do Ossobó (2017) no cinema de Silas Tiny?

O seu próximo filme encontra-se em pós-produção e foi rodado em São Tomé com o título provisório Constelações do Equador. Trata-se de uma obra sobre a ponte área criada entre São Tomé e a Nigéria para transportar comida e medicamentos e salvar crianças da violência no contexto da guerra civil nigeriana, depois da secessão do Biafra em 1967. Neste momento, tem dois projectos em desenvolvimento: uma longa-metragem de ficção e o documentário Casa Decana que formará um díptico com O Canto do Ossobó sobre a temática da escravatura no período colonial. Vale a pena reflectir sobre o encadeamento destes projectos, deixando a análise fílmica para tirar algumas conclusões teóricas.

Numa entrevista concedida em 2017, Tiny foi questionado sobre o processo de filmagem e montagem de O Canto do Ossobó, mas a mesma pergunta podia ter sido feita sobre a forma cinematográfica de Bafatá Filme Clube. Talvez a diferença decisiva seja a ligação pessoal que o cineasta tem com São Tomé e Príncipe, que é mais ténue no caso da Guiné-Bissau. Eis a sua resposta:

Como é que se consegue mostrar o passado e falar dele, mas tendo em conta apenas o presente e o que nos rodeia? Todo o desenvolvimento do filme, teve em vista compreender esta questão. No filme existe uma tentativa interligar o presente e o passado, sem definir qualquer tipo de ordem cronológica à partida.[1]

Tiny regressou ao seu país para encontrar vestígios de um passado de trabalho forçado nas roças de produção de cacau em O Canto do Ossobó. Estes vestígios tomam a forma de sinais fantasmáticos, uma espécie de assombrações, tal como aquelas que povoam Bafatá Filme Clube. Os filmes de Tiny ensaiam uma busca pelo passado sem sair do presente, um modo de não quebrar a interligação entre os tempos. Trata-se de um trabalho que se confunde, no caso dele e como ele próprio confessa, com o interesse pelo cinema como arte.[2] Parece interessar-lhe a construção de imagens dialéticas, no sentido benjaminiano, através das imagens cinematográficas, como muito apropriadamente refere Michelle Sales.[3] Escreveu Walter Benjamin sobre este tipo de imagens e a sua autenticidade: “Não se pode dizer que o passado lança a sua luz sobre o presente, nem que o presente lança a sua luz sobre o passado; a imagem é antes aquilo em que em que o já foi converge com o agora numa constelação fulminante.”[4] O facto de um dos próximos projetos do cineasta mencionar o conceito imagético de constelações no seu título demonstra como o seu trabalho se aproxima do pensamento do filósofo alemão. Como Benjamin desenvolve, a questão que o ocupa é a da superação da relação temporal entre passado e presente por uma relação dialéctica entre o que foi (o outrora) e o que é (o agora). Ler Bafatá Filme Clube e O Canto do Ossobó, como procurei fazer brevemente, é aproveitar a possibilidade de conhecimento aberta pelo agora das suas imagens. Isso “traz consigo em alto grau a marca do momento crítico, perigoso, subjacente a toda a leitura”.[5] Este é um cinema em que o risco necessário para a construção de um olhar crítico e desimpedido é partilhado entre quem cria palavras lapidares de as imagens e quem as lê.

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[1] Silas Tiny, “Entrevista”, in doclisboa’17 / Projecto Educativo (Lisboa: Apordoc – Associação pelo Documentário, 2017), 16, http://www.doclisboa.org/2017/wp-content/uploads/dossier-projecto-educativo.pdf.
[2] Ibid.
[3] Michelle Sales, “Cinema negro português”, in Avanca | Cinema 2019, ed. António Costa Valente (Avanca: Edições Cine-Clube de Avanca, 2019), 327.
[4] Walter Benjamin, As Passagens de Paris, trad. João Barrento (Lisboa: Assírio & Alvim, 2019), 592.
[5] Ibid.

Melodias do Reuso

20.03.2020


“American Oxygen” de Rihanna (2015).

Acabou de sair um número especial (ainda com data de 2019) da Esferas: Revista Interprogramas de Pós-graduação em Comunicação do Centro Oeste, publicada pela Universidade Católica de Brasília. O dossiê temático que constitui o essencial deste número tem o título “Novas Linguagens do Audiovisual” e foi editado por Felipe Polydoro e Gabriela Freitas da Universidade de Brasília. Está acessível aqui.

O dossiê conta com artigos de colegas como Raquel Schefer (Universidade de Lisboa e Universidade do Cabo Ocidental) e Pablo Gonçalo Martins (Universidade de Brasília). O meu artigo, “Melodias do Reuso: A Reutilização de Imagens nos Vídeos Musicais”, é resumido assim:

A discussão deste artigo centra-se na reutilização de imagens em vídeos musicais. Sem se esgotarem nelas, submeto que as operações com imagens reutilizadas nos videoclipes podem ser divididas em três: montagem, assemblage, e colagem. A identificação destas operações é o resultado de um esforço para as descrever através da análise de vários exemplos, salientando as suas diferenças formais e de propósito. Os vídeos musicais podem seguir mais do que apenas uma destas três operações. Estes modos combinatórios podem também ser combinados entre si.

Max von Sydow (1929-2020)

09.03.2020


O Sétimo Selo/The Seventh Seal (Det sjunde inseglet, 1957).

Working with Film

19.02.2020


A Portuguese Farewell (Um Adeus Português, 1986).

Tomorrow I praticipate in a 2-day event on research methods in film studies at the Catholic University of Portugal. Here is the abstract to my paper, “Working with Film”:

This talk focuses on the methodological issues involved in choosing a film or a group of films to conduct research in film studies. These choices may rest on different yet compatible perspectives: representation, authorship, national cinema, genre, otherness, among others. My aim is to address aspects related with the design and development of a research project that works with film works as objects of critical inquiry. Such aspects are deeply connected with the ability to do two things at the same time. On the one hand, to distinguish and select between the major paradigms of film studies, especially those in interpretation, criticism, history, and theory. On the other hand, to preserve and appreciate the artistic singularity of the films under scrutiny.

Workshop on Research Methods in Film Studies

11.02.2020

More info here. To participate send an email to filmresearchworkshop@gmail.com.

O Cinema Político Brasileiro Contemporâneo:
Setenta (2013) de Emília Silveira

10.02.2020

4.º Mar Film Festival: “Novas Vistas Lumière”

10.02.2020

A 4.ª edição do Mar Film Festival, promovido pelo Museu Marítimo de Ílhavo, está marcado para 17 a 21 de abril. Até lá, decorre o concurso de curtíssimas metragens “Novas Vistas Lumière”, cujos vencedores serão anunciados no evento. Faço do júri de pré-seleção deste concurso. As submissões realizam-se até 15 de março. Mais informações aqui.

Kirk Douglas (1916-2020)

06.02.2020


Horizontes de Glória (Paths of Glory, 1957).

Rádio no Cinema

06.02.2020


Os Dias da Rádio.

A nova temporada de A Grande Emissão do Mundo Português do Teatrão estreia com um ciclo de cinema imperdível, em parceria com o LIPA - Laboratório de Investigação e Práticas Artísticas. O ciclo “Rádio no Cinema” tem entrada livre e o seguinte alinhamento:

15 FEV., 17:00
A Menina da Rádio (1944), real. Artur Duarte

20 FEV., 18:30
Os Dias da Rádio (Radio Days, 1987), real. Woody Allen

27 FEV., 18:30
A Praire Home Companion - Bastidores da Rádio (A Prairie Home Companion, 2006), real. Robert Altman

From Analogue to Digital

04.02.2020

I am honoured to be one of the invited speakers for this conference at the University of Leeds in April. Thanks for the invite, Stephanie.

Sessões do Carvão — O Cinema Falado
Terra (2018) / Hiroatsu Suzuki e Rossana Torres

04.02.2020

Uma Vida Conspirada

04.02.2020

A história do cinema português tem sido escrita com ausências que fazem esquecer a sua dimensão colaborativa. A arte do cinema nasce do esforço colectivo. Henrique Espírito Santo soube isso como poucos e essa consciência fez dele uma figura marcante.

A sua ligação ao cinema começou na década de 1950, no movimento cineclubista. Foi dirigente do cineclube Imagem entre 1954 e 1970. Os seus textos críticos para jornais diários e revistas como a Seara Nova e a Vértice prolongaram o trabalho de divulgação e discussão desses espaços. Os cineclubes eram lugares de liberdade e luta antifascista. “O cineclubismo foi o grande movimento cultural de massas antes do 25 de Abril”, lembrava ele. Para ele, os cineclubes continuam a ter um papel fundamental a desempenhar. Afirmou isso há seis anos, quando foi homenageado no Fantasporto, em forma de apelo: “Os cineclubes continuam, há uma federação, e é preciso que estejam atentos e lutem ao lado dos cineastas, das associações de realizadores, das associações de produtores, de técnicos, porque estamos de novo numa situação difícil.” Uma situação difícil que permanece.

Tinha-se tornado militante do Partido Comunista Português (PCP) em 1957. Em 1963, foi preso pela PIDE e condenado sob a acusação de animus conspirandi, por actividades ligadas ao sector de espectáculos do PCP. Esteve encarcerado mais de um ano. Foi acusado de ser conspirador e era-o. Foi-o sempre. Se ser conspirador é um crime, foi um crime de uma vida.

Em 1966, tornou-se profissional de cinema. Trabalhou com José Fonseca e Costa na Unifilme, criada em 1967. Entre 1972 e 73, esteve associado ao Centro Português de Cinema, financiado pela Fundação Calouste Gulbenkian, que impulsionou o Novo Cinema Português, movimento de ruptura estética, cultural e social. Fundou a Cinequanon em 1974, com o director de fotografia Elso Roque, entre outros, e a Prole Filme em 1976, com o realizador Luís Filipe Rocha. Embora tivesse trabalhado como actor, foi na produção que construiu uma carreira.

Depois da Revolução de Abril, fez parte do Núcleo de Produção do Instituto Português de Cinema. Integrou o Colectivo dos Trabalhadores da Actividade Cinematográfica que filmou As Armas e o Povo, entre 25 de Abril e o 1.º de Maio de 1974. Foi membro da Célula do Cinema do PCP, que produziu o mordaz As Desventuras do Drácula Von Barreto nas Terras da Reforma Agrária (1977). Nele desempenhou o papel da personagem do título, inspirada em António Barreto, Ministro da Agricultura e Pescas do Partido Socialista, destruidor do processo libertador da Reforma Agrária.

Entre 1978 e 1980, foi professor de produção na Escola de Cinema do Conservatório e em Angola. O caderno Produção de Filmes resultou destas aulas. O seu trabalho de formação profissional na área da produção marcou profundamente o cinema português. O seu percurso como director de produção começou em 1971, com O Recado de Fonseca e Costa. Entre os filmes cuja produção dirigiu contam-se peças centrais do cinema português como A Promessa (1972) de António de Macedo, primeiro filme português seleccionado para o Festival de Cannes, Jaime (1974) de António Reis, Benilde ou a Virgem-Mãe (1975) e Amor de Perdição (1979) de Manoel de Oliveira, e O Bobo (1987) de José Álvaro Morais, primeiro filme português premiado no Festival de Locarno. Trabalhou ainda com outros cineastas notáveis como João César Monteiro, Margarida Gil, João Mário Grilo, Solveig Nordlund, Alberto Seixas Santos, e Jorge Silva Melo. O documentário Até Amanhã, Henrique!, realizado em 2017 por Miguel Cardoso, fixa o essencial dessa história que se confunde com a do cinema português.

A sua dedicação foi reconhecida com um prémio da Academia Portuguesa de Cinema em 2014 e um ciclo e catálogo da Cinemateca Portuguesa - Museu do Cinema em 2016. O seu nome é incontornável porque ele não contornou dificuldades, nem cultivou amarguras. Defendeu o cumprimento do dever social do estado no financiamento da cultura, permitindo o risco da criação e garantindo a diversidade de opções estéticas. Teve a coragem de um conspirador generoso e solidário por outra sociedade, livre da vampirização humana, empenhado na cultura como campo humanista de convivências.[1]

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[1] Publicado em A Voz do Operário 141, n.º 3075: 15, https://vozoperario.pt/jornal/2020/02/03/uma-vida-conspirada.

Atas do IX Encontro Anual da AIM

30.01.2020

Já se encontram disponíveis as Atas do IX Encontro Anual da AIM, editado por Marta Sofia Pinho Alves, Maria do Rosário Lupi Bello, e Iván Villarmea Álvarez. Este volume colige comunicações proferidas no IX Encontro Anual da AIM, que decorreu de 13 a 16 de maio de 2019 na Universidade de Santiago de Compostela, Espanha, e está disponível aqui.

Cidade Ecrã/Filme Ensaio (2018):
O Cinema nas Relações de Portugal com Macau e a República Popular da China

29.01.2020

Sessão de cinema de Cidade Ecrã/Filme Ensaio (2018), realizado por Rui Filipe Torres, doutorando em Estudos Artísticos na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. Segue-se um debate sobre o cinema nas relações de Portugal com Macau e a República Popular da China, moderado por mim, com a participação do realizador, Cristina Zhou Miao (ICUC - Instituto Confúcio da Universidade de Coimbra), João Amorim (Fundação Oriente) e António Costa Valente (Universidade de Aveiro). Este evento é co-organizado pelo LIPA - Laboratório de Investigação e Práticas Artísticas e pelo ICUC. Agradecemos a cedência da sala por parte da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra.

Henrique Espírito Santo (1931-2020)

19.01.2020


Benilde ou a Virgem-Mãe (1975).

Spring Seminar 2020, “Revolution & Cinema”

17.01.2020

The Spring Seminar 2020 on “Revolution & Cinema” will take place in 7 and 8 May at the Catholic University of Portugal, Porto. Papers may discuss the following topics:

• postcolonial legacy in film and visual arts;
• decolonization movements and their relationship with cinema and the visual arts;
• the third cinema;
• decolonization of film and art histories;
• collective forms of film and artistic production;
• the role of political cinema;
• activist art or the relationship of art to politics;
• other ways of thinking about cinema as a revolutionary artistic form.

I am a member of the Scientific Committee, along with other colleagues. CFP and more information here.

Relações entre a Literatura e o Cinema

11.01.2020

A Guitarra de Coimbra

08.01.2020


A Guitarra de Coimbra.

O Teatro Académico de Gil Vicente mostra hoje, Às 18h, o documentário A Guitarra de Coimbra (2017) de Soraia Simões. Estarei à conversa com ela no final da sessão.