A Geometria da Atracção

30.04.2019


Shining.

O espaço e as figuras que o ocupam são elementos da materialidade do cinema, nos quais se inclui também o formato da imagem, entre outros. Realizadores como Stanley Kubrick deram grande relevo a esses elementos geométricos. Em Shining (The Shining, 1980), o desenho dos espaços, os padrões que os decoram, os movimentos fluídos dos planos, fazem vacilar a noção de enquadramento instante a instante. A sensação de que o espaço nos contém era semelhante àquela que tínhamos experimentado noutro filme seu: 2001: Odisseia no Espaço (2001: A Space Odyssey, 1968). Aliás, é interessante notar como ambos os filmes baseiam muita da sua expressividade na construção de um permanente efeito de atracção (a influência emocional e psicológica de que falava Sergei Eisenstein) com características diferentes: sugador em Shining, dilatador em 2001: Odisseia no Espaço.

Contra Tudo o que Era Velho

25.04.2019

Escrevi um artigo para o novo número da Diagonal, revista retomada em boa hora pelo Sector Intelectual do Porto do Partido Comunista Português. O número foi apresentado publicamente no passado dia 13 no portuense Palacete dos Viscondes de Balsemão. O meu artigo enquadra-se num dos temas em destaque, a Revolução de Abril — o outro é a Guerra Civil de Espanha. Levou o título “Contra Tudo o que Era Velho: A Revolução de Abril e o Cinema”.

Atas do VIII da AIM

24.04.2019

Já estão disponíveis as Atas do VIII Encontro Anual da AIM que decorreu na Universidade de Aveiro em Maio de 2018. Com edição de Daniel Ribas (Universidade Católica Portuguesa), Manuela Penafria (Universidade da Beira Interior), e minha, o e-livro reúne algumas das comunicações apresentadas neste evento científico. Pode ser descarregado aqui, junto com as Atas dos anos anteriores.

Phil Solomon (1954-2019)

22.04.2019


Still Raining, Still Dreaming (2008-9).

Sessões do Carvão — O Cinema Falado
A Batalha de Argel (1966) / Érica Faleiro Rodrigues

18.04.2019

IX Encontros Arraianos de Cinema

15.04.2019

Bibi Andersson (1935-2019)

15.04.2019


Persona (1966).

Lançamento da Aniki 6.1 /
Episódios de Black Mirror (2011-)

05.04.2019

Os Lugares da Esperança

02.04.2019


Fogo no Mar.

Na próxima quarta-feira, dia 10, às 18h, apresento uma sessão integrada no Seminário Permanente - Grupo de Investigação sobre Cinema & Filosofia, organizado pelo Instituto de Filosofia da Nova. Dei-lhe o título “Os Lugares da Esperança” e resumi-o assim:

Parto de uma questão genérica: que ligações existem entre uma virtude e um lugar? O tópico central deste seminário será, mais concretamente, a virtude da esperança, que abordarei do ponto de vista da teologia cristã. A esperança é considerada uma das três virtudes teologais — as outras duas são a fé e o amor —, assim chamadas porque têm Deus como origem, motivo, e objecto. Há, portanto, um fundo de incognoscibilidade nestas virtudes que as afastam de uma suposta ciência da moral, porque à sua possível claridade não corresponde a clareza na sua definição. A virtude entendida desta maneira é distinguível da acção moral, na medida em que esta fundamenta e anima tal acção, mas talvez não seja destrinçável dela. Sem acção e sem um lugar onde ela se desenrole, a virtude não pode ser ‘colocada em cena’ no interior da existência humana. Esta relação com a mise-en-scène sugere o interesse em estudar as formas como o cinema contemporâneo tem lidado e dialogado, nos planos temático e figurativo, nas dinâmicas internas do que filma e põe em marcha, com a virtude da esperança, nomeadamente sem excluir a tentação do desespero. Desenvolverei esta reflexão através da análise de dois filmes com diferenças significativas: Luz Silenciosa (Stellet Licht, 2007), realizado pelo mexicano Carlos Reygadas, e Fogo no Mar (Fuocoammare, 2016), realizado pelo italiano Gianfranco Rosi. Luz Silenciosa tem fortes referências religiosas e narra as ramificações de um adultério numa comunidade cristã menonita em Chihuahua. Fogo no Mar pode ser classificado como secular e regista e recria a vida na ilha de Lampedusa, onde muitos refugiados chegam pelo mar. O desafio é discutir a esperança como virtude teologal dentro e fora do âmbito do religioso, questionando a facilidade (ou adequação) de o fazer em relação ao primeiro filme e a dificuldade (ou desadequação) de o fazer em relação ao segundo. Interessa-me, em particular, examinar como estas obras associam a esperança aos lugares e à sua vivência.