Sucessivos Espantos

12.07.2019


Valha-me Deus.

Para além de diferenças e rupturas, acidentes e contradições, a obra de Jean-Luc Godard foi sempre comandada por uma tenaz pedagogia ligada ao desejo de ver. Em muitos momentos do seu cinema, o dispositivo é tornado visível: da estrutura espacial de Tudo Vai Bem (Tout va bien, 1972) à mão que avança sobre a lente em Valha-me Deus (Hélas pour moi, 1993). Nos seus filmes, toda a imagem é o resultado da colisão entre a teia da matéria e o vetor da imaginação e do pensamento.

A consciência exacta da solidão de cada ser — no limite, de cada imagem — num universo saturado de comunicação e desencantado pela obrigação de comunicar é uma das questões centrais de Valha-me Deus. Obras como esta assemelham-se a paisagens de encontros e desencontros de solidões que se cruzam. A relação com os corpos e os espíritos é tão ascética quanto carnal. São exercícios do olhar gerados a partir da própria dificuldade de ver. Em Valha-me Deus, os movimentos dos actores e o ritmo das imagens recompõem o mundo a cada instante através de sucessivos espantos.

Lives in Transition

08.06.2019

1st International Conference on Cinema, Philosophy and... Children's World

07.06.2019


La Ciénaga.

The first international conference on cinema, philosophy and children’s world will be held next week in Lisbon, organised by Nova Institute of Philosophy, in a partnership with Nova Institute of Communication and the Centre for 20th Century Interdisciplinary Studies - University of Coimbra. The complete program is available here. I am chairing Deborah Martin’s (University College London) keynote session, “‘Seen Through Gestures’: Children’s Hands, Space and the Child’s World in Film”, on the second day. La Ciénaga (2001), directed by Lucrecia Martel, will be screened after her talk and she will make some comments on the film.

Dia Aberto: Mestrados do DHEEAA
(incluindo o Mestrado em Estudos Artísticos)

17.06.2019

Afroeuropeans

15.06.2019

Esta Residência Artística é organizada no âmbito do projeto de investigação “À margem do cinema português: estudo sobre o cinema afrodescendente produzido em Portugal” financiado pela Fundação Calouste Gulbenkian e conta com a participação dos artistas afro-europeus: Benjamin Abras, Silas Tiny, Sofia Rodrigues e Vanessa Fernandes. É coordenada pela investigadora e professora Michelle Sales (UFRJ/CEIS20) com assistência de Jorge Cabrera (CAUC), e conta com a minha participação (FLUC/CEIS20/LIPA), do Pedro Pousada (CAUC), do Fernando Matos Oliveira (FLUC/CEIS20/TAGV) e do artista André Feitosa (CAUC).

O programa visa proporcionar espaço criativo e de diálogo para artistas afro-europeus a fim de catalisar novos trabalhos, projetos em comum e formação de novas redes de trabalho e colaboração. Esta residência interessa-se pelo aprofundamento de questões políticas e identitárias que dizem respeito aos modos de pensar, sentir e existir afro-europeus em contextos urbanos violentos, pós-industriais e pós-coloniais em crise.

Esta iniciativa conta com o apoio do Centro de Estudos Interdisciplinares do Século XX (CEIS20) da Universidade de Coimbra, do Laboratório de Investigação e Práticas Artísticas (LIPA) da Universidade de Coimbra, do Teatro Académico de Gil Vicente (TAGV) e do Colégio das Artes da Universidade de Coimbra.

Digitações

11.06.2019

Estarei pelo Brasil daqui a alguns dias, mais concretamente na Universidade de Brasília. Deixo o convite para a palestra que vou apresentar no dia 18, organizada pela Faculdade de Comunicação (FAC), o Grupo de Pesquisa em Literatura, Artes e Midias (LIAME), o Instituto de Letras (IL), e o Programa de Pós-Graduação em Literatura e Práticas Sociais (PósLit):

Esta palestra centra-se na fabricação de imagens em movimento no cinema digital. Este processo será discutido através de uma poética do trabalho, em vez de uma pura poética das formas, portanto de um estudo de processos que integra a produção na análise de filmes digitais. Influenciada pelo trabalho de Giuliana Bruno sobre a materialidade na cultura visual contemporânea, esta abordagem considera que a materialidade diz respeito à substância das relações materiais e não apenas aos materiais em si. Em três movimentos interligados que combinam discussão teórica com análise fílmica, esta palestra explora a digitalização como processo, o labor do digital e, finalmente, a produção cinematográfica digital. O argumento apresentado é o de que tornar o fabrico visível nos filmes digitais é transformar as suas imagens em movimento naquilo que tenho vindo a chamar de “imagens digitadas”, que podem ser relacionadas com o conceito de pós-digital. Isto é, que é o emprego das mãos que fabrica essas imagens, deixando uma série de marcas na sua composição e modulação, de gestos no sentido de Giorgio Agamben: o processo de tornar um meio visível enquanto tal.

As Kindled Wood

07.06.2019


Silent Light (Stellet Licht, 2007).

I am participating in the Early Career Conference in Catholic Theology and Catholic Studies, an event organised by the Centre for Catholic Studies at Durham University, with support from The Newman Association, The Catholic Record Society, and The Tablet on 12 June. My paper is called “As Kindled Wood: Imagery in the Thomistic Account of the Theological Virtues” and it is part of my dissertation for the MA (Res) in Theology at Durham. Here is the abstract:

In the Summa Theologica, Thomas Aquinas uses the image of wood on fire to discuss the theological virtues and the difference between the nature of human beings and that of God. He says that the nature of things can be defined in two ways: essentially and by participation. In essence, God and human beings have distinct natures and so the theological virtues whose object is God and divine nature transcends human creatures and their nature. But Thomas also argues that this sharp distinction is somehow blurred in the definition by participation that stresses how humans can take part in divine life. He writes: “as kindled wood partakes of the nature of fire […], after a fashion, man becomes a partaker of the Divine Nature, […] so that these virtues are proportionate to man in respect of the Nature of which he is made a partaker.”

This paper aims at meditating on the uses of this image in Thomas’s commentaries on the theological virtues. Kindled wood is used in an analogical sense (as) as well as a purposive sense (so that). This discussion relates to my research on the theological virtues in contemporary cinema and to the way in which the imagery of some films interrogate and deepen our understanding of these virtues. These cinematic examples, which I shall briefly explore, have similar functions to the image of kindled wood, but are more dense and complex. They are not analogical, but depictive, representational. Yet still (and this is a most important theological point, I think), a depiction of theological virtues or divine gifts is always analogical, in the sense that it resembles what it tries to describe or to render yet it’s still invariably different (such divine things cannot be fully described or rendered in detail) — as different as God and creature. They allow us to develop insights about these divine gifts through human portraits.

Digitar o Digital

20.05.2019


Adeus à Linguagem.

No próximo dia 23 participo no primeiro Seminário de Primavera (On Cinema), organizado pelo Centro de Investigação em Ciência e Tecnologia das Artes (CITAR) da Escola de Artes da Universidade Católica Portuguesa, Porto, e o Instituto de Literatura Comparada Margarida Losa (ILCML) da Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Trata-se de um novo fórum de discussão das novas práticas de investigação sobre cinema. Surge da necessidade de pensar como a cultura fílmica tem evoluído, como a sua experiência estética se transformou, e como podemos caracterizá-la no presente. Mais informação aqui.

O meu contributo intitula-se “Digitar o Digital” e tem o seguinte resumo:

Sendo o cinema digital frequentemente baseado numa estética da pós-produção, o trabalho que produz as suas imagens em movimento torna-se menos visível do que no cinema analógico, que depende mais da fase de rodagem. Este desaparecimento do trabalho e dos trabalhadores na indústria cinematográfica pode ser transformado em presença através da análise fílmica, atendendo ao modo como o filme torna presente as operações que o geraram. Embora o cinema digital, como toda a arte digital, se materialize na produção, a sua natureza aparentemente imaterial ou multimaterial tem facilitado o apagamento e o esquecimento do trabalho que o origina. As imagens em movimento produzidas por esse tipo de filme podem ser consideradas como pertencentes a uma longa linha de imagens produzidas pela mão humana, usada há dezenas de milhares de anos para servir como estêncil ou para manipular pigmentos na pintura rupestre pré-histórica, e empregue hoje para criar e moldar elementos digitais para o cinema. As imagens digitais são, neste sentido e em primeiro lugar, imagens digitadas. Ou seja, é o emprego das mãos e dos dedos que fabrica essas imagens e deixa uma série de marcas na sua composição e modulação. Por isso, é necessário considerar como elas são produzidas e sob que condições, não apenas neutralizando a obliteração e a desvalorização do trabalho, mas também reconhecendo que a apreciação estética do cinema digital deve levar em conta a produção na sua base. Para desenvolver esta reflexão dialogarei com pensadores como D. N. Rodowick, Claire Colebrook, e Jacques Derrida, e analisarei brevemente dois filmes recentes de Jean-Luc Godard: Adeus à Linguagem (Adieu au langage, 2014) e O Livro de Imagem (Le livre d’image, 2018).

Apresentação de Dar a Ver o que nos Cega de Abílio Hernandez Cardoso

16.05.2019

Jean-Claude Brisseau (1944-2019)

12.05.2019


Céline (1992).

Um Corpo Vivo

10.05.2019


Ida.

O IX Encontro Anual da AIM começa oficialmente no dia 13 e prolonga-se até ao dia 16 deste mês. A comunicação que vou apresentar neste encontro tem o título “Um Corpo Vivo: Corporeidade e Amor em Ida”. Eis o resumo:

Ida (2013) é aqui analisado cruzando os estudos fílmicos e a teologia. Este filme polaco narra a estória de uma noviça chamada Ida em 1962. Ela sai pela primeira vez do convento para conhecer a tia, uma juíza caída em desgraça depois do período estalinista, e descobrir que a sua mãe e o seu pai eram judeus e foram mortos durante a ocupação nazi. A minha leitura teológica chama a atenção para o modo como as descobertas sobre o passado da protagonista e do país envolvem experiências novas na vida dela. São experiências que ela não teve porque viveu isolada do resto do mundo num ambiente religioso. Há nelas uma tensão entre as dimensões social e individual, física e espiritual, que torna o trajecto dela num caminho de discernimento pessoal marcado pelo fundamento do amor. Em De Trinitate, Agostinho lembra que Deus só é visível para quem ama. A corporeidade é central neste percurso desde a primeira cena, em que Ida retoca a pintura de uma estátua de Cristo quase da sua estatura que, a espaços, pontua o filme como uma presença que a acompanha e interpela. Como a luta de Jacob com Deus (Gen 32,22-32), a de Ida será feita corpo a corpo — ao contacto com a estátua podemos acrescentar a recolha dos ossos dos seus progenitores e o encontro sexual com um saxofonista. Estes momentos vão fazendo o seu corpo mais vivo, a sua vida mais intensa, mais participante na natureza divina e mais animada pelo amor divino. No fim, a câmara fixa torna-se móvel para acompanhar a sua determinação.

O Nosso Dia

05.05.2019


Tudo em Jogo (1998).

Lembras-te, mãe? O nosso jantar caseiro de cachorros-quentes com mostarda diante do ecrã. He Got Game. A fotografia enérgica de Malik Hassan Sayeed. A montagem acrobática de Barry Alexander Brown. A música expressiva de Aaron Copland. A direcção atentíssima de Spike Lee. Denzel Washington como nunca, como sempre. Espero que te lembres como eu, hoje que te recordo.

Ciclo de Cinema Argentino

02.05.2019

Aproveitando a estreia da peça Ala de Criados, escrita pelo dramaturgo argentino Maurício Kartun e encenada por Marco António Rodrigues, o Teatrão co-organiza com o LIPA - Laboratório de Investigação e Práticas Artísticas um ciclo de cinema argentino de 7 a 28 de Maio. As quatro sessões terão lugar na Tabacaria da OMT - Oficina Municipal do Teatro. A primeira sessão inclui comentários meus e de Marco António depois da projecção de O Segredo dos Seus Olhos (El Secreto de Sus Ojos, 2009), realizado por Juan José Campanella e escrito por Eduardo Sacheri e Campanella.

A Geometria da Atracção

30.04.2019


Shining.

O espaço e as figuras que o ocupam são elementos da materialidade do cinema, nos quais se inclui também o formato da imagem, entre outros. Realizadores como Stanley Kubrick deram grande relevo a esses elementos geométricos. Em Shining (The Shining, 1980), o desenho dos espaços, os padrões que os decoram, os movimentos fluídos dos planos, fazem vacilar a noção de enquadramento instante a instante. A sensação de que o espaço nos contém era semelhante àquela que tínhamos experimentado noutro filme seu: 2001: Odisseia no Espaço (2001: A Space Odyssey, 1968). Aliás, é interessante notar como ambos os filmes baseiam muita da sua expressividade na construção de um permanente efeito de atracção (a influência emocional e psicológica de que falava Sergei Eisenstein) com características diferentes: sugador em Shining, dilatador em 2001: Odisseia no Espaço.

Contra Tudo o que Era Velho

25.04.2019

Escrevi um artigo para o novo número da Diagonal, revista retomada em boa hora pelo Sector Intelectual do Porto do Partido Comunista Português. O número foi apresentado publicamente no passado dia 13 no portuense Palacete dos Viscondes de Balsemão. O meu artigo enquadra-se num dos temas em destaque, a Revolução de Abril — o outro é a Guerra Civil de Espanha. Levou o título “Contra Tudo o que Era Velho: A Revolução de Abril e o Cinema”.

Atas do VIII da AIM

24.04.2019

Já estão disponíveis as Atas do VIII Encontro Anual da AIM que decorreu na Universidade de Aveiro em Maio de 2018. Com edição de Daniel Ribas (Universidade Católica Portuguesa), Manuela Penafria (Universidade da Beira Interior), e minha, o e-livro reúne algumas das comunicações apresentadas neste evento científico. Pode ser descarregado aqui, junto com as Atas dos anos anteriores.

Phil Solomon (1954-2019)

22.04.2019


Still Raining, Still Dreaming (2008-9).

Sessões do Carvão — O Cinema Falado
A Batalha de Argel (1966) / Érica Faleiro Rodrigues

18.04.2019

IX Encontros Arraianos de Cinema

15.04.2019

Bibi Andersson (1935-2019)

15.04.2019


Persona (1966).

Lançamento da Aniki 6.1 /
Episódios de Black Mirror (2011-)

05.04.2019

Os Lugares da Esperança

02.04.2019


Fogo no Mar.

Na próxima quarta-feira, dia 10, às 18h, apresento uma sessão integrada no Seminário Permanente - Grupo de Investigação sobre Cinema & Filosofia, organizado pelo Instituto de Filosofia da Nova. Dei-lhe o título “Os Lugares da Esperança” e resumi-o assim:

Parto de uma questão genérica: que ligações existem entre uma virtude e um lugar? O tópico central deste seminário será, mais concretamente, a virtude da esperança, que abordarei do ponto de vista da teologia cristã. A esperança é considerada uma das três virtudes teologais — as outras duas são a fé e o amor —, assim chamadas porque têm Deus como origem, motivo, e objecto. Há, portanto, um fundo de incognoscibilidade nestas virtudes que as afastam de uma suposta ciência da moral, porque à sua possível claridade não corresponde a clareza na sua definição. A virtude entendida desta maneira é distinguível da acção moral, na medida em que esta fundamenta e anima tal acção, mas talvez não seja destrinçável dela. Sem acção e sem um lugar onde ela se desenrole, a virtude não pode ser ‘colocada em cena’ no interior da existência humana. Esta relação com a mise-en-scène sugere o interesse em estudar as formas como o cinema contemporâneo tem lidado e dialogado, nos planos temático e figurativo, nas dinâmicas internas do que filma e põe em marcha, com a virtude da esperança, nomeadamente sem excluir a tentação do desespero. Desenvolverei esta reflexão através da análise de dois filmes com diferenças significativas: Luz Silenciosa (Stellet Licht, 2007), realizado pelo mexicano Carlos Reygadas, e Fogo no Mar (Fuocoammare, 2016), realizado pelo italiano Gianfranco Rosi. Luz Silenciosa tem fortes referências religiosas e narra as ramificações de um adultério numa comunidade cristã menonita em Chihuahua. Fogo no Mar pode ser classificado como secular e regista e recria a vida na ilha de Lampedusa, onde muitos refugiados chegam pelo mar. O desafio é discutir a esperança como virtude teologal dentro e fora do âmbito do religioso, questionando a facilidade (ou adequação) de o fazer em relação ao primeiro filme e a dificuldade (ou desadequação) de o fazer em relação ao segundo. Interessa-me, em particular, examinar como estas obras associam a esperança aos lugares e à sua vivência.

Agnès Varda (1928-2019)

30.03.2019


Cléo de 5 à 7 (1962).

Larry Cohen (1936-2019)

29.03.2019


It’s Alive (1974).

Sessões do Carvão — O Cinema Falado
Extinção (2018) + Coup de Grâce (2017) / Salomé Lamas

18.03.2019

Conversations with Stanley

17.03.2019

My “Conversations with Stanley”, written for Forma de Vida, the journal of the Program in Literary Theory of the School of Arts and Humanities of the University of Lisbon, is now online. It is part of the latest issue, which pays tribute to philosopher Stanley Cavell (1926-2018).

The complete issue includes articles by Nancy Bauer (Tufts University), Alice Crary (University of Oxford/The New School), Sandra Laugier (University of Paris 1 Panthéon-Sorbonne), Christopher Benfey (Mount Holyoke College), Lindsay Waters (Harvard University Press), Brett Bourbon (University of Dallas), Lawrence Rhu (University of South Carolina), Miguel Tamen (University of Lisbon), Robert Pippin (University of Chicago), James Conant (University of Chicago), and Nuno Venturinha (Nova University of Lisbon). It is available here.

Orin

16.03.2019

Cinema e Memória

15.03.2019

Encontros no ANIM 2019

14.03.2019


© Colecção da Cinemateca Portuguesa - Museu do Cinema.

Os Encontros no ANIM começaram no ano passado e continuam este ano. Tal como na primeira edição, integro com muito gosto a Comissão Científica deste evento que é fruto do empenho do actual Director do ANIM, Tiago Baptista. Informações detalhadas aqui.

Ten Issues of Cinema

12.03.2019

We were in the beginning of 2010 when the journal began to take shape at IFILNOVA - Nova Institute of Philosophy. It had been born of a conversation between me and Patrícia Silveirinha Castello Branco still in 2009. Susana Viegas joined us as the third editor soon after. We decided to associate an evocative image of a furtive gaze from Manoel de Oliveira’s Past and Present (O Passado e o Presente, 1972) with the journal. The tenth issue has been published recently. It is a good time to celebrate the longevity and quality of this project, which had a major international impact from the start that only grew with time. It seems that our intuition was right: there was room for a pluralist journal on philosophy and the moving image that avoids the simplistic opposition between analytical and continental philosophy and is structured as a series of thematic issues. We have counted on the precious help and cooperation of Susana Nascimento Duarte, Maria Irene Aparício, and William Brown, in the editing of non-thematic sections. My thanks go especially to all the authors for their articles, which formed the core of each issue. I am deeply grateful to Patrícia and Susana for this intellectual adventure. Today, we can look at Cinema: Journal of Philosophy and the Moving Image and see this past in a present loaded with future. Check it out here.

Cinema 10

12.03.2019

The tenth issue of Cinema: Journal of Philosophy and the Moving Image on painting, moving images, and philosophy, edited by Susana Viegas and James Williams, is now available online with the publication date of December 2018. The contents may be consulted, read, and downloaded here:

ARTICLES

“Painting at the Beginning of Time: Deleuze on the Image of Time in Francis Bacon and Modern Cinema”, David Benjamin Johnson (School of the Art Institute of Chicago)

“‘Each Single Gesture Becomes a Destiny‘: Gesturality between Cinema and Painting in Raúl Ruiz’s L’Hypothèse du tableau volé”, Greg Hinks (Trinity Hall, University of Cambridge)

“Whither the Sign: Mohammed Khadda in Assia Djebar’s La Nouba des femmes du Mont Chenoua”, Natasha Marie Llorens (Columbia University)

“Manet and Godard: Perception and History in Histoire(s) du cinéma”, Pablo Gonzalez Ramalho (Federal University of Rio de Janeiro)

“A Work of Chaos: Gianluigi Toccafondo’s Animated Paintings”, Paulo Viveiros (Lusofona University)

“Ill Seen, Ill Said: The Deleuzian Stutter Meets the Stroop Effect in Diana Thater’s Colorvision Series (2016)”, Colin Gardner (University of California, Santa Barbara)

“Blue Residue: Painterly Melancholia and Chromatic Dingnity in the Films of David Lynch”, Ed Cameron (University of Texas, Rio Grande Valley)

INTERVIEWS

“Interview with Jonathan Beller:The Derivative Image: Historical Implications of the Computational Mode of Production”, by Susana Nascimento Duarte (School of Arts and Design, Caldas da Rainha/IFILNOVA)

BOOK REVIEWS

Acinemas: Lyotard’s Philosophy of Film”, Brian Thomas Walker (The State University of New York at Buffalo)

Pedro Costa”, Susana Viegas (IFILNOVA/Deakin University)

The Philosophical Hitchcock: Vertigo and the Anxieties of Unknowingness”, Paolo Stellino (IFILNOVA)

Philippe Grandrieux: Sonic Cinema”,Arzu Karaduman (Georgia State University)

The Cinema of Poetry”, Maria Irene Aparício (NOVA-FCSH/IFILNOVA)

Animation Cinema Workshop: From Motion to Emotion”, Catarina Calvinho Gil (NOVA-FCSH)

Art History for Filmmakers: The Art of Visual Storytelling”, Maria Irene Aparício (NOVA-FCSH/IFILNOVA)

CONFERENCE REPORTS

“Notes on Creative Practice Research in the Age of Neoliberal Hopelessness, University of Bedfordshire, UK, 10-12 May 2018”, William Brown (University of Roehampton)

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Dia Internacional da Mulher: E Agora, Onde Vamos?

07.03.2019


E Agora, Onde Vamos?.

Hoje, dia 7, véspera do Dia Internacional da Mulher, às 21:15, o Centro de Artes e Espectáculo mostra o filme libanês E Agora, Onde Vamos? (Et maintenant on va où?, 2011), realizado por Nadine Labaki, numa sessão de cinema gratuita. O filme foi uma proposta minha em resposta ao convite que o Grupo Unitário de Mulheres da Figueira da Foz me tem dirigido todos os anos. À projecção seguem-se os comentários de uma mesa que integro com a vereadora Mafalda Azenha (PS), a escritora Isabel Tavares, a deputada municipal Margarida Fontoura (PSD), e a dirigente do MDM - Movimento Democrático de Mulheres, Libânia Pires, e do público.

4.ª Feira Clássica: O Homem da Manivela

04.03.2019


O Homem da Manivela.

Na próxima quarta-feira, às 21h, estarei no Centro Paroquial de Cantanhede para apresentar o soberbo O Homem da Manivela (The Cameraman, 1928), realizado por Edward Sedgwick e Buster Keaton. Estas programação de filmes clássicos é fruto do trabalho do Vasco Otero e congrega diversos apoios da cidade.

A sessão inclui ainda Viagem à Lua (Le Voyage dans la lune, 1902), dirigido por Georges Méliès, que também será musicado ao vivo e contará com uma breve apresentação minha. Venham.

Med Hondo (1936-2019)

04.03.2019


Soleil Ô (1970).

45 Dias Sem Você

26.02.2019

Alumni LIPA. Espaço para ex-estudantes do Curso de Estudos Artísticos mostrarem o seu trabalho. Trabalho do LIPA (Laboratório de Investigação e Práticas Artísticas), mas, sobretudo, esforço da Bia Laschi e da Joana Castanheira que integram a coordenação do laboratório como estudantes da Licenciatura em Estudos Artísticos da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. É tão bom ver uma ideia como esta ter pernas para andar e dar frutos. É tão bom ver o empenho delas e de todas/os estudantes que se estão a envolver noutros projectos do LIPA, construindo o presente e o futuro do curso. Bem hajam.

Sessões do Carvão — O Cinema Falado
Filmes de Sérgio Guerra / Paulo Cunha

26.02.2019

Stanley Donen (1924-2019)

23.02.2019


Singin’ in the Rain (1952).

The Creative Process in Portuguese Film: Materialities

21.02.2019


Shooting of The Maias: Scenes from Romantic Life (Os Maias: Cenas da Vida Romântica, 2014).

The conference The Creative Process in Portuguese Film: Materialities will take place at King’s College, London on 9 and 10 May. The event is organized by The Centre for Portuguese Language and Culture at King’s and Utopia - UK Portuguese Film Festival, with João Mário Grilo and Fernando Vendrell as keynote speakers. I’m honoured to be a member of the Conference Committee. The CFP and other information is available here.

Provas de Vida

18.02.2019


A Palavra.

O jornal 7 Margens publicou hoje mais uma crónica minha, desta vez sobre A Palavra (Ordet, 1955), filme sobre milagres realizado por Carl Dreyer. “Provas de Vida” está disponível aqui.

Bruno Ganz (1941-2019)

16.02.2019


Der Himmel über Berlin (1987).

Morte e Interioridade

15.02.2019

A minha colega Maria Antónia Lopes, coordenadora da Secção de História no Departamento ao qual pertenço na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, desafiou-me a preparar um seminário de Produção Cultural e Movimentos Intelectuais no contexto do Mestrado em História, especialidade em Época Contemporânea. Vai ser assim.

Um ensaio que publiquei no ano passado serve de base. Este trabalho tem em vista uma nova publicação para uma colecção de ensaios para a Routledge, editada por Anthony Ballas (Universidade do Colorado em Denver).

In Motion

11.02.2019

As provas de Mestrado em Estudos Artísticos da Vanessa Gomes Fernandes decorreram hoje de tarde na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. Participei como orientador no júri que incluiu ainda o meu colega Paulo Estudante (como presidente) e a minha companheira de estudos Michelle Sales (como arguente).

Aniki 6, n.º 1

07.02.2019

Foi ontem lançado na Cinemateca Portuguesa - Museu do Cinema o novo número da Aniki: Revista Portuguesa da Imagem em Movimento. Entre diversas publicações (uma entrevista com Pedro Costa, um ensaio sobre o retrato do Portugal durante a ditadura do Estado Novo em Hollywood, e recensões de livros, conferências, exposições e festivais de cinema), este número conta um com dossiê temático que eu editei: “O Visionamento e a Crítica de Séries de Televisão”. Foi um trabalho que começou com um convite do Tiago Baptista e terminou com a coordenação editorial do Paulo Cunha. Estou profundamente agradecido aos dois. O resultado é um conjunto de artigos que tomam como objectos de estudo as séries Black Mirror (2011-), Breaking Bad (2008-13), True Detective (2014-), Westworld (2016-), e a obra televisiva de Aaron Sorkin. A minha introdução, “Séries de Televisão: Estética, Visionamento Atento e Escrita Crítica”, é mais ensaística do que estas peças introdutórias costumam ser. Propõe uma discussão de recorte teórico sobre a arte da televisão, partindo de uma análise das diferenças ontológicas normalmente apontadas entre o cinema e a televisão. Todo este conteúdo está disponível online aqui.

Unusual Life

04.03.2019


Ida.

The I International Colloquium “Gesture and Belief”: Routes, Transfers and Intermediality is organised by the Transdisciplinary “Culture, Space and Memory” Research Centre (CITCEM) of the University of Porto. It will take place in March. The program is available here. Here is the accepted abstract of my paper, “Unusual Life: Loving Gestures and Sacredness in Ida (2013)”:

The Polish film Ida (2013) tells the story of a novice called Ida (Agata Trzebuchowska) in 1962. The community’s Mother Superior tells her to meet her only living relative, an aunt who she has never seen, before she takes her vows. Consequently, she leaves the monastic setting for the first time in her life. This paper analyzes the portrayal of her gestures inside and outside the convent. In monastic life, gestures are sparse and ritualized. They mold daily activities into habits. In secular life, gestures carry social meaning. Ida has not learned the conventions of human interaction shared by the people she meets. The film contrasts the two lives when she is travelling the country, learning about her family history, and having a relationship with a young musician. When she asks the man how their future together would be, he simply answers: “The usual. Life.” In contrast, her tentative life is most unusual and it has the power to reveal the world as an unknown place. Her gestures become ways of experiencing (and searching for) some conviction about the intertwinement between love and the sacred in her existence.

ABC do Cinema: Videoclipe

03.02.2019


Solange, “Cranes in the Sky” (2016).

Na próxima quarta-feira, dia 6, lecciono uma das aulas de um novo curso livre oferecido na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, ABC do Cinema: Uma História dos Conceitos. O curso foi organizado pelo Luís Mendonça, a quem agradeço o convite para participar neste original programa de formação. Cabe-me a aula sobre o videoclipe.

Cinema Largo

30.01.2019


Atrás do Espelho.

Os formatos da imagem foram mudando ao longo da história do cinema. Mudaram com a introdução da banda-som na película, mas sobretudo com o desenvolvimento de formatos anamórficos em que o rectângulo dos fotogramas era estendido em comprimento na projecção. Um desses formatos, o CinemaScope, é talvez o mais conhecido, com uma proporção de 2.66:1. Foi utilizado pela primeira no filme A Túnica (The Robe, 1953).

Conta-se que o amor de Nicholas Ray pelo Scope nasceu de uma visita que o cineasta fez a Taliesin West em Spring Green, Wisconsin, da autoria do arquitecto Frank Lloyd Wright. Os vãos do edifício recortavam rectângulos alongados da paisagem campestre. Ele apreciou essas imagens, não só como resultado de uma relação única com a natureza, mas também como uma visão intencional e consistente do mundo.

O Scope, na sua grandeza e aparente artificialidade, instala a sensação de que olhar não corresponde a uma postura fixa, mas sim a uma posição que abre espaço para o movimento. É um olhar rasgado até aos objectos periféricos, geneticamente aberto ao múltiplo. Um formato é uma permanência, uma condição material da arte cinematográfica que influencia a construção de universos e o estilo visual de um filme. Jean-Luc Godard disse um dia que se o cinema não existisse, Nicholas Ray tê-lo-ia inventado. Este cineasta foi um dos grandes estetas do Scope como espaço de relações e de composição marcado pela ambiguidade. Obras como Atrás do Espelho (Bigger Than Life, 1956) comprovam-no bem.

À Margem do Cinema Português

29.01.2019

A Fundação Calouste Gulbenkian decidiu atribuir financiamento a um projeto do CEIS20 em parceria com o LIPA - Laboratório de Investigação e Práticas Artísticas no âmbito do Concurso de Apoio a Projetos de Investigação nos Domínios da Lingua e da Cultura Portuguesas.

“À Margem do Cinema Português: Estudos sobre o Cinema Afrodescendente Produzido em Portugal” será coordenado pela Michelle Sales e por mim. A equipa do projeto inclui ainda as investigadoras Ana Cristina Pereira (UMinho), Liliane Leroux (UERJ), e Daniele Ellery (UNILAB), o investigador Paulo Cunha (UBI), e a realizadora Maíra Zenun.

Jonas Mekas (1922-2019)

24.01.2019


As I Was Moving Ahead Occasionally I Saw Brief Glimpses of Beauty (2000).

Uma Época de Mudança

22.01.2019

60 Anos de Revolução, 60 Anos de Cinema

17.01.2019


Memórias do Subdesenvolvimento (Memorias del subdesarrollo, 1968).

O jornal Avante! publicou hoje um artigo meu sobre os 60 anos da Revolução Cubana e o seu cinema. Pode ser lido aqui.