Tentações e Viagens

31.12.2019


Dois Papas.

Algumas notas rápidas sobre as duas recentes polémicas “religiosas” que envolveram duas produções da Netflix.

Em relação a A Primeira Tentação de Cristo (2019), realizado por Rodrigo Van Der Put em parceira com o grupo Porta dos Fundos, pergunto-me se os cristãos transtornados que se organizaram contra a distribuição do filme o viram do princípio ao fim. É possível que não tenham visto mais do que o momento em que Jesus chega a casa na companhia de um homem. Não sendo canónica, nem querendo ser, trata-se de uma história de tentação paralela à crónica das tentações no deserto. Que o gay Orlando, interpretado por Fábio Porchat, seja tão caricatural e acabe por ser a encarnação do mal, Lucifer, demonstra que a representação das pessoas homossexuais no filme é, inesperadamente, sem imaginação e negativa. Quem atacou os escritórios da Porta dos Fundos a 24 de Dezembro, além de confundir a fé cristã com a ideologia das armas, a estrela do Natal com os incêndios dos cocktails Molotov, parece-me que pensou pouco sobre o que viu. Se é que viu, volto a conjecturar. Eu, como admirador do grupo, só posso observar que já fizeram bem melhor no campo humorístico. A Primeira Tentação de Cristo é uma coisa atabalhoada.

Dois Papas (Two Popes, 2019), realizado por Fernando Mereilles, traça um retrato imaginado e dramatizado do Papa Bento XVI e do Cardeal Jorge Mario Bergoglio (futuro Papa Francisco) com diversas subtilezas que vão muito além do contraste entre um e outro. Anthony Hopkins e Jonathan Pryce ajudam muito. É verdade que o filme força esse contraste, mas segue esse caminho para explorar essa tensão permanente entre a verdade que a Igreja transporta, o depósito da fé que conserva, e a tradição que se vai relacionando com o espírito de cada época, como dizia o teólogo dominicano Edward Schillebeeckx. Se vemos a agilidade de Bergoglio a calcorrear o jardim, também vemos a vitalidade de Bento XVI quando toca piano. Acabam por dançar os dois. Outra forma de o filme não criar uma simples oposição entre os dois, é o modo como põe as mesmas palavras na boca de um e de outro em momentos diferentes da narrativa: “Eu mudei.” A coragem que é preciso para mudar. A humildade, também. Parece-me que o filme é sobretudo sobre essa viagem corajosa e humilde de cada um e dos dois em conjunto, da Igreja. Reparei que há católicos muito zangados com o filme, embora lhe reconheçam méritos artísticos. Mais uma vez, dei-me conta que há quem o comente sem o ter visto — em muitos casos, recusando-se a vê-lo à partida. Talvez estejam a ser mais papistas que o Papa, conforme o ditado. A obra foi mostrada na Santa Sé a um grupo de cardeais e padres. Pryce contou mais tarde que eles saíram da sala a sorrir e salientaram, não o rigor, mas a honestidade de Dois Papas.

A Morte e o Inferno

31.12.2019


Vem e Vê.

O último boletim da URAP - União de Resistentes Antifascistas Portugueses inclui um artigo meu: “A Morte e o Inferno: Vem e Vê (1985)”, sobre o filme de guerra de Elem Klimov, obra-prima do cinema soviético. Está disponível aqui. Um agradecimento à Ana Pato, que dirige a publicação. O texto faz parte do espaço “Cultura é Resistência”. É!

Descobertas do Cinemático

09.12.2019


La Jetée (1962).

Mesmo em cima do fecho do ano, a Paralaxe: Revista de Estética e Filosofia da Arte, publicada pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, lançou um número constituído pelo dossier “Perspectivas Estéticas Entre Brasil e Kenya” e o meu artigo “Descobertas do Cinemático”. Deixo o resumo do meu ensaio:

Este artigo participa na discussão contemporânea em torno do conceito de cinemático, no âmbito da definição do cinema como forma artística. Rejeitando definições prescritivas da arte da imagem em movimento, e defendendo antes a importância fundamental da noção de descoberta no desenvolvimento dessa arte, este texto argumenta a favor da utilidade de um conceito aberto de cinemático.

2019

21.12.2019


Parasitas.

Tenho uma pequena lista de alguns que me escaparam, mas estes foram os filmes estreados em 2019 que ficaram na minha memória e que guardei para revisitar no futuro. Por ordem alfabética:

Booksmart: Inteligentes e Rebeldes (Booksmart), real. Olivia Wilde. EUA, 2019.
Bostofrio, real. Paulo Carneiro. Portugal, 2018.
Cafarnaum (Capharnaum), real. Nadine Labaki. Catar/Chipre/EUA/França/Líbano, 2018.

Chuva é Cantoria na Aldeia dos Mortos, real. Renée Nader Messora e João Salaviza. Brasil/Portugal, 2018.

Cinzas Brancas Mais Puras, As (Jiang hu er nu), real. Zhang-ke Jia. França/Japão/RPC, 2018.

Correio de Droga (The Mule), real. Clint Eastwood. EUA, 2018.

Dor e Glória (Dolor y gloria), real. Pedro Almodóvar. Espanha/França, 2019.

Glass, real. M. Night Shyamalan. EUA/RPC, 2019.

Joker, real. Todd Phillips. Canadá/EUA, 2019.

Nós (Us), real. Jordan Peele. EUA/RPC, 2019.

Parasitas (Gisaengchung), real. Bong Joon-ho. Coreia do Sul, 2019.

Santiago, Itália (Santiago, Italia), real. Nanni Moretti. Chile/França/Itália, 2018.

Variações, real. João Maia. Portugal, 2019.

Vitalina Varela, real. Pedro Costa. Portugal, 2019.

+

O Irlandês (The Irishman), real. Martin Scorsese. EUA, 2019.

Linguagem para um Corpo Silencioso

09.12.2019


Moonlight.

A 18 de Dezembro de 2019, vou participar no Ciclo “Questões de Género”, organizado pelo Centro de Humanidades - Universidade Nova de Lisboa, na Biblioteca Palácio Galveias em Lisboa. Um agradecimento à Isabel Branco pelo convite. Partilho o painel “Sexualidade e Cinema” com a Ana Bela Morais (Universidade de Lisboa), com a comunicação “Linguagem para um Corpo Silencioso: Uma Leitura de Moonlight (2016) no Campo da Teologia Queer”. Eis o resumo:

Podemos ler Moonlight, realizado por Barry Jenkins, como uma obra cinematográfica que aborda de forma fértil a relação entre corpo, sexualidade e amor. Mais concretamente, o modo como a dimensão erótica do amor é corporizada e, assim, sentido teológico. O grande desafio que o filme coloca é o de fazer sentido de uma personagem, Chiron, que é representada em três períodos da sua vida: como criança (com o nome Little), como adolescente, e como adulto (com o nome Black). Só na adolescência é que ele é chamado pelo seu nome, Chiron, que é distinto das alcunhas pelas quais é conhecido na infância e na idade adulta que expressam a sua pequena estatura e o tom escuro da sua pele. É precisamente na adolescência que Chiron tem um encontro sexual e amoroso na praia que lhe deixa uma marca indelével. O corpo muda e permanece o mesmo e essa mudança e permanência são assinaladas pela linguagem. Estas são as bases da leitura de Moonlight aqui proposta, apoiando-se na aproximação que Eugene F. Rogers Jr. faz entre Tomás de Aquino e Judith Butler no campo da teologia queer, centrada na ideia de que um corpo exige uma linguagem. Esta comunicação propõe uma interpretação teológica em torno da comunhão amorosa que desenvolve uma linguagem crítica apropriada ao corpo silencioso de Little/Chiron/Black.

Sessões do Carvão — O Cinema Falado
Les Magiciens de Wanzerbé (1949) + Farpões, Baldios (2017) / Marta Mateus

03.12.2019

Ecos das MasterSessions “O Meu Cinema”

30.11.2019


Fot. Leonor Garrido.

Alguns ecos das MasterSessions “O Meu Cinema” que consegui recolher:

“Criar sem imaginação: uma forma de realizar filmes” (A Cabra)
“Pedaço a pedaço se constrói um filme” (A Cabra)

A Violência Pintada no Sorriso de Joker

30.11.2019


Fot. Cátia Beato.

Quando me perguntarem para que serve a universidade, vou passar a dar como exemplo a recente tertúlia sobre Joker (2019), organizada pela Secção de Defesa dos Direitos Humanos da Associação Académica de Coimbra. Foi com muito gosto que nela participei, apesar do cansaço de uma semana cheia, com uma colega da Faculdade de Economia (Margarida Antunes) e uma psicóloga (Rachel Cesar). Reportagem do jornal A Cabra aqui.

MasterSessions “O Meu Cinema”

27.11.2019


Desvio (2018).


Variações (2019).


Bostofrio (2018).

Três sessões, três conversas entre mim e os realizadores Tiago Afonso, João Maia, e Paulo Carneiro, na Sala do Carvão, Casa das Caldeiras, pelas 18h, dos dias 27, 28 e 29 de novembro. Estas MasterSessions “O Meu Cinema” são organizadas pelos Caminhos do Cinema Português e pelo LIPA - Laboratório de Investigação e Práticas Artísticas. Mais informações aqui.

Praticar e Pesquisar

21.11.2019

Por Dentro de Joker

20.11.2019

Sessões do Carvão — O Cinema Falado
Nosferatu, o Vampiro (1922) / Abílio Hernandez Cardoso

19.11.2019

Um Cinema de Equívocos (Des)Controlados

19.11.2019

O Cinema Político Brasileiro Contemporâneo:
Retratos de Identificação (2014) de Anita Leandro

12.11.2019

Ouvir Cinema

08.11.2019

É com imenso prazer que participo no dia 9 de Novembro no Encontro Nacional de Cineclubes na Curia, Anadia. Vou moderar uma mesa com o título “Ouvir Cinema”, com a participação de Branko Neskov (engenheiro de som), Tiago Fernandes (professor de som, UBI), e Joaquim Pavão (músico). Mais informações aqui.

Uma Ausência Tornada Presente

01.11.2019


Gestos & Fragmentos: Ensaio Sobre os Militares e o Poder.

Participo no dia 19 de Novembro no II Encontro Internacional de História Oral do Cinema Português, que vai decorrer na Fundação Calouste Gulbenkian em Lisboa. A minha comunicação tem o título “Uma Ausência Tornada Presente: Gestos & Fragmentos (1983)” e o seguinte resumo:

Gestos & Fragmentos (1983) integra uma trilogia na filmografia de Alberto Seixas Santos que inclui Brandos Costumes (1975), obra começada em 1972 no período fascista e terminada já depois do 25 de Abril de 1974, e Paraíso Perdido (1992), filme mais tardio sobre os traumas existenciais associados ao passado colonial português. Cada um deles, olha para a Revolução dos Cravos adoptando uma perspectiva singular: focando-se na transição entre períodos históricos no caso de Brandos Costumes e centrando-se na relação com um passado que se tornou longínquo, mas permanece marcante, em Paraíso Perdido. Gestos & Fragmentos é um filme directamente sobre a revolução, dirigido quase uma década após os acontecimentos e produzido pelo Grupo Zero, Cooperativa de Cinema, uma estrutura indissociável do cinema que emergiu na revolução. A Lei da Terra (1977), sobre a Reforma Agrária, foi uma obra colectiva desse grupo. Na década de 1980, o 25 de Abril era sobretudo uma ausência no cinema português, como o confirmaria Um Adeus Português (1986), realizado poucos anos depois e construído exactamente em torno dessa ausência. Gestos & Fragmentos é um filme que contempla essa ausência e a torna presente, sem a querer decifrar completamente. A dimensão reflexiva do ensaio cinematográfico revela-se sobretudo na sua capacidade para questionar e redefinir as formas de representação no cinema — e até de problematizar o próprio conceito de representação. Gestos & Fragmentos faz isso através da combinação de vozes com diferentes modalidades discursivas: do militar Otelo Saraiva de Carvalho, do filósofo Eduardo Lourenço, e do cineasta estado-unidense Robert Kramer que interpreta um jornalista a investigar o processo revolucionário e contra-revolucionário.

Solidarity with Chile from Academics Across the World

24.10.2019

My name is already on the list. Please join us here, fellow academics.

Investigar Pela Prática:
Olhando Para a Prática Artística Documental

24.10.2019

Bibi e os Crustáceos

22.10.2019

“A lula está a limpar o bar.” Estou a (re)ler um argumento para uma longa-metragem de animação, escrito por um mestrando brasileiro, sobre uma baleia grávida em busca de águas quentes. A prova de defesa é amanhã. Como não amar o meu trabalho?

Semana da Igualdade 2019: Milk – A Voz da Igualdade

22.10.2019


Milk – A Voz da Igualdade.

O Município da Figueira da Foz, em parceria com as entidades que desenvolvem intervenção na área da igualdade, programou um conjunto de atividades sob o mote da igualdade desenvolvidas entre os dias 21 e 27 de Outubro.

Esta Semana da Igualdade visa mobilizar os vários agentes locais e consciencializar a população em geral para as questões da igualdade, cidadania e não discriminação. No âmbito desta iniciativa, será exibido amanhã no Pequeno Auditório do CAE, pelas 21h, o filme Milk – A Voz da Igualdade (Milk, 2008). No final da projecção do filme, haverá um debate moderado por mim.

O Cinema Político Brasileiro Contemporâneo:
Marighella (2011) de Isa Grinspum Ferra

10.10.2019

Investigar Pela Prática: Cinema Documental

10.10.2019

Sessões do Carvão — O Cinema Falado
A Autoria no Cinema: Mostra de Cinema Documental Brasileiro

09.10.2019

Estudante e Orientador de Doutoramento

09.10.2019

Retirei esta imagem da página da Universidade de Kent sobre Investigação/Doutoramento (Research/PhD). Desde que defendi a minha tese de doutoramento em Estudos Fímicos a 8 de Dezembro de 2010 que nunca mais lá voltei. Hei-de regressar. Estudar no excelente departamento de cinema em Kent foi uma das experiências mais gratificantes da minha vida, logo à partida pelo facto de ter beneficiado de uma bolsa de doutoramento da própria universidade. Lembro-me bem.

Na sexta-feira passada, um estudante em Estudos Artísticos na Universidade de Coimbra, Markus Carpenter, orientado por mim, doutorou-se com distinção e louvor. Foi o terceiro, depois do Nuno Malheiro Lopes e da Jô Levy. É motivo de contentamento para mim que cada estudante tenha feito o seu caminho, na liberdade do que querem estudar, aprofundar, conhecer, sem que eu os tenha dirigido. Orientar é, para mim, ajudar a levar um projecto de outra pessoa a bom porto. Muito tenho aprendido. Espero que ela e eles também.

II Encontro Internacional de História Oral do Cinema Português

09.10.2019

Lá estarei no dia 19 de Novembro para apresentar uma comunicação sobre Gestos & Fragmentos (1982) num painel sobre a etnoficção no cinema documental pós-25 de Abril, os militares e o poder em Alberto Seixas Santos. Um agradecimento à Raquel (IHC-NOVA) pela organização deste evento que reúne um grupo impressionante de investigadores na Fundação Calouste Gulbenkian e pelo convite que me endereçou. A não perder.

Hollywood Glamoroso

30.09.2019

Começa amanhã o ciclo de cinema “Hollywood Glamoroso”, integrado na programação do Fila K Cineclube, em parceira com o LIPA - Laboratório de Investigação e Práticas Artísticas. A selecção e apresentação dos filmes ficou a cargo de Miguel Moreira, doutorando em Estudos Artísticos da Universidade de Coimbra.

Research Visit to Blackfriars, Oxford

25.09.2019


Library, Blackfriars, University of Oxford.

I am thankful to Fr. Richard Conrad, OP for inviting me to visit Blackfriars, a Dominican Priory and one of the Permanent Private Halls of the University of Oxford, as a researcher in theology on 26 and 27 September.

I will use the library at Blackfriars and the Institute’s own small collection of books. I will converse with Richard on the subject of my MA dissertation in theology and, in particular, on Thomas Aquinas’ thoughts on the theological virtues. I am studying how some contemporary films represent, dramatise, and reflect the theological virtues, exploring how faith is voiced, hope is placed, and love is embodied in this medium.

O Ensaio Audiovisual na Era Digital

23.09.2019

X Encontro Anual da AIM CFP

16.09.2019

Chamada para Trabalhos
X Encontro Anual da AIM
27-30 de maio, 2020
Instituto Politécnico de Setúbal

O X Encontro Anual da AIM terá lugar no Instituto Politécnico de Setúbal entre 27 e 30 de maio de 2020, numa organização conjunta da AIM e a Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Setúbal. O Encontro Anual da AIM é uma conferência internacional onde todas as propostas serão submetidas a revisão por pares. Serão publicadas atas em formato electrónico.

Criada em 2010, a AIM pretende reunir em Portugal o conjunto de investigadores que têm em comum objetos e temas de pesquisa relacionados com a imagem em movimento. Com este objetivo, realizaram-se já nove encontros anuais: na Universidade do Algarve, Faro (2011), na Universidade Católica Portuguesa, Lisboa (2012), na Universidade de Coimbra (2013), na Universidade da Beira Interior, Covilhã (2014), no ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa (2015), na Universidade Católica Portuguesa, Porto (2016), na Universidade do Minho, Braga (2017), na Universidade de Aveiro (2018) e na Universidade de Santiago de Compostela, Espanha (2019).

A AIM convida à submissão de propostas de comunicação, em português, galego, castelhano ou inglês, que não excedam os 1500 carateres (incluindo espaços), nas seguintes áreas (que poderão ser alargadas a outras): cinema, televisão, vídeo e media digitais.

As propostas para o Encontro Anual podem ser submetidas por membros da AIM (inscrição gratuita) e por não-membros (taxa de inscrição de 60€, após aceitação). As contribuições poderão assumir a forma de comunicações individuais ou painéis pré-constituídos. Alguns painéis poderão ter respondentes. Os proponentes que já sejam membros da AIM terão de renovar a sua inscrição e proceder ao pagamento das quotas relativas à anuidade de 2020 até 15 de novembro de 2019 (30€/normal; 20€/estudante de licenciatura e mestrado).

Para mais informações sobre as condições de participação, formas de contribuição e submissão de propostas, consulte a Chamada para Trabalhos online, incluindo Chamada de Trabalhos dos GTs da AIM: http://aim.org.pt/?p=meeting&sp=cfp

O prazo para submissão de propostas termina a 15 de novembro de 2019.

* Call for Papers
10th AIM Annual Meeting
May 27-30, 2020
Polytechnic Institute of Setúbal

The 10th AIM Annual Meeting will be hosted at the Polytechnic Institute of Setúbal on May 27-30, 2020, in a joint organization of AIM and the Higher Education School of the Polytechnic Institute of Setúbal. AIM’s Annual Meeting is an international conference and all proposals will be peer reviewed. Proceedings will be published in electronic format after the meeting.

Founded in 2010, AIM – Portuguese Association of Researchers of the Moving Image aims to gather scholars and researchers whose common subjects and research interests are related to the moving image. With this in mind, nine annual meetings have been organized: at the University of Algarve, Faro (2011), at the Catholic University of Portugal, Lisbon (2012), at the University of Coimbra (2013), at the University of Beira Interior, Covilhã (2014), at ISCTE-IUL, University Institute of Lisbon (2015), at the Catholic University of Portugal, Porto (2016), at the University of Minho, Braga (2017), at the University of Aveiro (2018) and at the University of Santiago de Compostela, Espanha (2019).

We invite submissions for individual presentations and pre-constituted panels in Portuguese, Galician, Spanish or English, not exceeding 1500 characters (including spaces), in the areas of film, television, video, and digital media studies. The list is indicative and may include other areas.

In order to participate in the conference you can submit your proposal as an AIM member (free registration) or as a non-member (60€ registration fee, paid after acceptance). Each person may submit one paper proposal, either as an individual presenter or as part of a pre-constituted panel. Some panels may have respondents. Please note that, before submission, AIM members must renew their membership for 2020 until November 15, 2019 (30€/normal; 20€/student).

Further information about the terms of participation, forms of contribution and submission of proposals can be found in the online Call for Papers, which includes the Internal Call for Papers of the Working Groups: http://aim.org.pt/?p=meeting&sp=cfp

The deadline for submission of proposals is November 15, 2019.

Portugal e o Resto do Mundo Vistos pelo Cinema

12.09.2019


Raiva (2017).

O CineAvante! de 2019 esteve quase sempre à pinha. Uma alegria, portanto. A minha reportagem sobre este programa de filmes foi publicada hoje no jornal Avante! e está disponível aqui.

Cinema: Revista da FPCC 45

11.09.2019

Foi hoje lançado um novo número da revista Cinema: Revista da Federação Portuguesa de Cineclubes, dirigida pelo Paulo Cunha. Este n.º 45 inclui um dossiê especial dedicado ao Prémio António Loja Neves, com um artigo meu sobre a segunda longa-metragem de Silas Tiny, “O Canto do Ossobó: Reminiscências”, e contributos de Maria Veiga Copertino (UNESP), Michelle Sales (UFRJ), Sílvia Vieira (UAlg), Ana Cristina Pereira (UMinho), e Tiago Fernandes (UBI). A Elena Cordero Hoyo (UL) também escreve sobre a pioneira Virgínia de Castro e Almeida, Mariana Liz (UL) sobre o lugar do cinema na última Conferência Anual ICS, e Fernanda Barini Camargo (UNESP) sobre a parceira entre Manoel de Oliveira e Agustina Bessa-Luís. O número completo pode ser lido e descarregado aqui.

Questões de Género

11.09.2019

Agradeço à Isabel Araújo Branco o convite que me dirigiu para participar com uma comunicação neste ciclo. No dia 18 de Dezembro, partilharei a Sessão “Sexualidade e Cinema” com a Ana Bela Morais. Mas esta é apenas uma parte deste grande evento que começa este mês. Mais informações aqui.

Carlos Melo Ferreira: Até Sempre, Querido Professor

10.09.2019


No Quarta da Vanda (2000).

Foi com imenso prazer que contribuí para uma merecida e bonita homenagem do À Pala de Walsh ao Carlos Melo Ferreira. Para ler de fio a pavio aqui.

Beyond the Music

05.09.2019

Chauncey K. Robinson covered this year’s Avante! Festival for People’s World. She talked to me about the film program that I helped organize. It is all in her article, “Beyond the Music: Portugal’s Avante! Festival Combines Culture and Marxist Politics”.

CineAvante! 2019

05.09.2019

O programa completo do CineAvante! deste ano está disponível aqui. A selecção de filmes é diversificada, mantendo-se a aposta no cinema português, com documentários internacionais e as habituais sessões de cinema de animação.

Politics and Image

02.09.2015

The proceedings of the Politics and Image conference are now out, edited by Constantino Pereira Martins and Pedro T. Magalhães, in open access. The volume is available here and it includes my paper “The Class of Images: Sketch for a Research Project”.

Vem e Vê

29.08.2019


Vem e Vê.

Bem sei que a Rússia do presente está a chamar a si todo o grande património artístico criado na extinta União Soviética, mas não é preciso reproduzi-lo nos jornais portugueses. Vem e Vê (Idi i smotri, 1985), que estreia hoje em cópia restaurada, é um filme soviético, não russo. Foi rodado na República Socialista Soviética da Bielorrússia, actual Bielorússia, um país diferente da Federação Russa. Foi co-produzido pela bielorussa Belarusfilm e pela russa Mosfilm. Dito isto, corram a vê-lo.

Momentos-Variações

27.08.2019


Variações (2019).

Variações. O filme escrito e realizado pelo João Maia, com a assistência do Miguel Raposo, produzido pelo Fernando Vendrell e pela Ana Figueira, fruto do trabalho conjunto de outros talentos, é uma obra que mergulha na cultura portuguesa de forma densa e sensível. Nela encontramos António, um homem e um artista no qual confluem múltiplas dimensões históricas, sociais, espirituais, emocionais dessa cultura, sem quebrar o mistério que moldou a sua vida e a sua arte. No fim, o que fica é uma voz que chama toda a gente. A existência de António surge como uma sucessão de momentos-variações sobre uma solidão em busca da proximidade, do contacto, do enlaço.

Save the Date!: X Encontro da AIM

31.07.2019

Carlos Melo Ferreira (1946-2019)

28.07.2019

Com o falecimento do Carlos Melo Ferreira, estamos de luto.

Natural de Lisboa, doutorado em Ciências da Comunicação com especialidade em cinema pela Universidade Nova de Lisboa, Professor Jubilado da Escola Superior Artística do Porto, investigador integrado do Centro de Estudos Arnaldo Araújo, docente convidado do Mestrado em Comunicação Audiovisual da Escola Superior de Música e das Artes do Espetáculo do Instituto Politécnico do Porto, foi alguém cujo trabalho dedicado marcou de forma indelével os estudos de cinema em Portugal. Como crítico, investigador, e professor, o Carlos era insaciável e generoso. Deixou vários livros que compõem uma constelação dos seus interesses e amores: O Cinema de Alfred Hitchcock (1985), Truffaut e o Cinema (1991), As Poéticas do Cinema: A Poética da Terra e os Rumos do Humano na Ordem do Fílmico (2004), Cinema: Uma Arte Impura (2011), e Pedro Costa (2018) nas Edições Afrontamento, Cinema Clássico Americano: Géneros e Génio em Howard Hawks (2018) nas Edições 70, mais Cruzamentos: Estudos de Arte, Cinema e Arquitectura (2007) e Corte e Abertura (2015) publicados pelo Centro de Estudos Arnaldo Araújo. Marcou presença na blogosfera, tirando partido das novas tecnologias de escrita, com Some Like It Cool (2012-2016) e depois Some Like It Hot (2017-2019).

As minhas sentidas condolências aos membros da sua família e a outras pessoas próximas. O Carlos foi também membro da Associação de Investigadores da Imagem em Movimento. Como actual presidente da associação, cabe-me transmitir a muita estima que tenho (e temos) pelo apoio que ele sempre deu este projecto e a sua activa participação nas suas actividades.

Rutger Hauer (1944-2019)

20.07.2019


Blade Runner: Perigo Iminente (Blade Runner, 1982).

Sucessivos Espantos

12.07.2019


Valha-me Deus.

Para além de diferenças e rupturas, acidentes e contradições, a obra de Jean-Luc Godard foi sempre comandada por uma tenaz pedagogia ligada ao desejo de ver. Em muitos momentos do seu cinema, o dispositivo é tornado visível: da estrutura espacial de Tudo Vai Bem (Tout va bien, 1972) à mão que avança sobre a lente em Valha-me Deus (Hélas pour moi, 1993). Nos seus filmes, toda a imagem é o resultado da colisão entre a teia da matéria e o vetor da imaginação e do pensamento.

A consciência exacta da solidão de cada ser — no limite, de cada imagem — num universo saturado de comunicação e desencantado pela obrigação de comunicar é uma das questões centrais de Valha-me Deus. Obras como esta assemelham-se a paisagens de encontros e desencontros de solidões que se cruzam. A relação com os corpos e os espíritos é tão ascética quanto carnal. São exercícios do olhar gerados a partir da própria dificuldade de ver. Em Valha-me Deus, os movimentos dos actores e o ritmo das imagens recompõem o mundo a cada instante através de sucessivos espantos.

Lives in Transition

08.07.2019

1st International Conference on Cinema, Philosophy and... Children's World

07.07.2019


La Ciénaga.

The first international conference on cinema, philosophy and children’s world will be held next week in Lisbon, organised by Nova Institute of Philosophy, in a partnership with Nova Institute of Communication and the Centre for 20th Century Interdisciplinary Studies - University of Coimbra. The complete program is available here. I am chairing Deborah Martin’s (University College London) keynote session, “‘Seen Through Gestures’: Children’s Hands, Space and the Child’s World in Film”, on the second day. La Ciénaga (2001), directed by Lucrecia Martel, will be screened after her talk and she will make some comments on the film.

Dia Aberto: Mestrados do DHEEAA
(incluindo o Mestrado em Estudos Artísticos)

17.06.2019