Um Buraco Negro

12.12.2018


Sonhos de Akira Kurosawa.

Como pode o cinema exprimir o indizível, aquilo para o qual as palavras não chegam? Em Sonhos de Akira Kurosawa (Yume, 1990), há um túnel que se transfigura num buraco negro de medos. É como se ao carácter indizível do que está aquém ou além da linguagem correspondesse a dimensão incomensurável do espaço.

Portuguese Women Directors

06.12.2018

Portuguese Women Directors is a great research project hosted by the Institute of Social Sciences - University of Lisbon, financed by Calouste Gulbenkian Foundation and coordinated by Mariana Liz (ICS-ULisbon) and Hilary Owen (University of Oxford/University of Manchester), with Ana Cabral Martins’s assistance. Check out the website.

Serviço Público ao Cinema Português

05.12.2018

Ainda não vi Parque Mayer (2018). Estreia amanhã. É verdade que o “making of” que hoje passou na televisão, em horário nobre, foi produzido pela MGN Filmes como peça promocional. Mas ao transmiti-lo, a RTP cumpriu o seu mandato de serviço público. E ponho-me a pensar qual seria a relação dos espectadores com o cinema português se esta divulgação, não só de um filme mas sobretudo do trabalho de produção cinematográfica, fosse uma aposta permanente em vez de pontual.

Terra e Poder

04.12.2018


La noire de....

A Conferência Internacional sobre Cinema e Paisagem, organizada pelo Centro de Estudos Comparatistas na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa com coordenação da Filipa Rosário, começou ontem e termina amanhã. Informações detalhadas aqui.

Apresentarei uma comunicação no último dia, integrada no painel “Do Colonial ao Pós-Colonial”, com a Michelle Sale e o Paulo Cunha, e moderação da Mariana Liz. Partilho o resumo desse trabalho, “Terra e Poder: As Paisagens do Cinema Pós-Colonialista de Ousmane Sembène”:

O cinema de Ousmane Sembène surgiu depois do Senegal se ter tornado independente do império colonial francês. As suas obras não se limitam a observar a realidade pós-colonial, a tomá-la como ponto de partida, retratando de forma crítica o passado colonial. Elas procuram construir um olhar pós-colonialista, analisando o impacto duradouro do colonialismo no período pós-colonial mesmo quando as narrativas se desenrolam noutra época histórica. Um dos elementos que dá forma a este olhar é a paisagem — mais concretamente, a paisagem como coisa produzida, ligada à organização social e económica. A primeira longa-metragem de Sembène, La noire de... (1966) narra o percurso de Diouana, uma criada que acompanha um ca- sal francês da capital senegalesa para a Riviera Francesa. É neste filme que esta comunicação se vai concentrar. A contraposição da paisagem de Dakar à de Antibes é uma comparação entre o passado e o presente, cujas imagens são identificáveis pelas notórias diferenças entre as paisagens. A estória desdobra-se e desenrola-se nestas paisagens e a história pode ser lida nelas. Depois do domínio colonial, manteve-se aquilo a que Aníbal Quijano chama de colonialidade do poder, uma estratificação social de cunho racial que se reflete em relações de do- minação e subordinação que só se tornam claras para Diouana em França. É precisamente a partir deste prisma que o filme disseca o racismo, espacializando-o. A paisagem francesa é marcada por infraestruturas e meios de transporte que convidam à viagem e à circulação, mas Diouana ficará confinada num apartamento.

Sessões do Carvão — O Cinema Falado
Cabaret Maxime (2018) / Bruno de Almeida

03.12.2018