O Direito do Mais Forte à Liberdade: The Exiles

29.03.2017


The Exiles.

O ciclo de cinema “O Direito do Mais Forte à Liberdade” continua no dia 30 na Sala do Carvão, Casa das Caldeiras, às 21:00, com o espantoso The Exiles (1967), realizado por Kent Mackenzie.

Jan Troell: A Memória das Vidas (2)

28.03.2017


Ole dole doff (“Quem o Viu Morrer?”, 1968).

Este filme será mostrado amanhã nas Sessões do Carvão, às 21:30.
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“Jan Troell: A Memória das Vidas”: (1)

Divinely Human

27.03.2017


Mouchette.

Between 30 March and 1 April, I am participating in an international conference at Syracuse University called The Place of Religion in Film. I am very grateful for the financial support that the Faculty of Humanities of the University of Coimbra has granted me. The event is organised by the Humanities Center and the Department of Religion of the College of Arts and Sciences. It is part of the Ray Smith Symposium Series created in 1989. One of the keynote speakers is also Portuguese: Joaquim Pinto, who is presenting his film E Agora? Lembra-me (What Now? Remind Me, 2013). Detailed information about the conference is available here.

I present my paper on Friday, 31. It is entitled “Divinely Human: Robert Bresson’s Spiritual Reflections” and I have summarised it this way:

This talk reads Robert Bresson’s Notes on the Cinematographer, not as a mere collection of thoughts, but as spiritual reflections. These brief meditations record aspects of his film practice in condensed form and reveal the connection between contemplation and action. The contemplative tone of the book becomes perceptible through the careful observation that originates each note. The goal seems to be to set parameters for transformation—so that art changes without losing sight of its core, so that this change makes sense and explores the possibilities of the cinematographic medium.

More precisely, the spiritual nature of these reflections is twofold.

On the one hand, Bresson speaks explicitly about the soul in several passages, in an attempt not to succumb to the superficial powers of photography. For him, cinematography, or photography in motion, has the ability to capture life, the soul of living things, and not just their appearance.

On the other hand, there is a religious background to his remarks that, although well known, is only made explicit once when the author mentions a Greek-Catholic liturgy saying: “Be attentive!” The exact phrase is “Let us be attentive!” and it is even more fitting for Bresson’s notes since they are written simultaneously from the point of view of the artist and of the viewer. Both need to pay attention, to be vigilant about what may be or already is projected on the screen.

These two aspects, the vibration of the soul and the importance of attention, can be further discussed by focusing on a concept that Bresson develops: that of model (a “divinely man” or a “divinely woman” as he writes), which replaces the notion of actor. The last moments of Mouchette (1967) allow us to explore questions around the model in detail—the way that they relate to viewer presumptions about Christian perspectives on suicide and death as well as to the place of ritual in significant instants of life.

Os Traços da Ilusão

25.03.2017


Indiana Jones and the Last Crusade.

Lemos hoje o teórico húngaro Béla Balázs e encontramos uma interpelação que não perdeu pertinência: pode o cinema salvar a existência das coisas? Isto é: podemos nós evitar o esquecimento e o desconhecimento do mundo através do cinema? O cineasta alemão Wim Wenders escreveu sobre a magia ligada ao espanto do registo, quer como suspensão da inexorabilidade do tempo, quer como fixação de instantes supreendentes:

Mesmo no começo—e dele muito restou—, para mim, fazer filmes era: colocar-se a câmara algures e dirigi-la para alguma coisa muito concreta, e depois não fazer mais nada, deixá-la apenas correr. E os filmes que mais me impressionavam eram também os dos realizadores muito, muito antigos, da viragem do século, que gravavam apenas e se admiravam que depois algo tivesse no material. Estava-se, muito simplesmente, fascinado pelo facto de se poder fazer uma imagem de alguma coisa em movimento e de se poder revê-la.[1]

É a câmara como “uma arma contra a miséria das coisas, nomeadamente contra o seu desaparecimento”.[2] O espanto aparece quase como uma reacção à evidência. A câmara é um aparelho constituído por inúmeros filtros, entre os quais a objectiva que capta objectivamente a partir de parâmetros subjectivos—capta, mas não percepciona. A ilusão que este dispositivo também pode criar é aceite, uma e outra vez, pelo processo neurofisiológico da percepção humana do espectador como uma verdade (in)acreditável.

A cumplicidade com as imagens não nasce das características do simples visível, mas também, por exemplo, de complexas relações de associação. Uma imagem não existe só. Transporta referências, evoca significados, produz significações. Há filmes que abrem um continente lúdico para o espectador composto de tempos e espaços efémeros em permanente reformulação. Observe-se a sequência de perseguição que inicia Indiana Jones and the Last Crusade (Indiana Jones e a Grande Cruzada, 1989), realizado por Steven Spielberg, e, com redobrado cuidado, o fabuloso raccord que liga o jovem ao homem, através de um chapéu.

Chamemos transcendência material das imagens a estes saltos de imaginação no cinema. Em Mission: Impossible (Missão Impossível, 1996), Brian De Palma filmou de forma dedicada essa relação, escrutinando a virtualidade das imagens, as imagens das imagens. As personagens vivem num espaço sem fronteiras onde tudo é potencialmente ilusório. Toda a verdade pode ser desmontada em mentira, e vice-versa, porque uma e a outra se misturam e disputam a capacidade de existirem. Num determinado momento, os óculos-câmara desaparecem no ecrã, como que engolidos pela imagem, quando a focagem passa do primeiro plano para um plano mais distante onde está um Ethan Hunt (Tom Cruise) mascarado. Neste desaparecimento da câmara sai reforçado um olhar. Um olhar sobre os circuitos e a circulação das imagens.


Mission: Impossible.
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[1] Wim Wenders, A Lógica das Imagens [1988], trad. Maria Alexandra A. Lopes (Lisboa: Edições 70, 1990), p. 13.
[2] Ibid., p. 12.

Cinema 9 CFP: Islam and Images

24.03.2017

Cinema: Journal of Philosophy and the Moving Image is calling for proposals for its ninth issue on Islam and images, edited by Patrícia Castello Branco (IFILNOVA), Saeed Zeydabadi-Nejad (SOAS University of London), and Sérgio Dias Branco (University of Coimbra/IFILNOVA/CEIS20).

In recent times, due to significant political, mediatic and social, but also aesthetic and artistic factors, we have witnessed an awakening of interest in Islamic aesthetics and imagery.

Islamic art is intrinsically connected with religion, ethics, politics, and social structures, as Islam is, for Muslims, not only a religion, but a way of life. So, tackling the issue of “Islam and Images” is also, necessarily, a gesture that includes all these spheres that, in our Western secular culture, are often taken as separated fields.

This issue aims at discussing and analysing Islamic art and aesthetics, with a special focus on the “modes of sense perception” embodied in particular images, taken politically as forms of organization, encompassing forms of visibility, ways of doing and making, and ways of conceptualizing. In proposing this topic, we are particularly interested in: discussing the philosophical understandings of Islamic imagery production; their roots in the history of philosophy; the Islamic tradition of aniconism and anti-ocularcentrism; its influences on styles and movements in the history of art, namely abstract imagery; their development in contemporary societies dominated by new technologies of the moving image; the relationships between the classical and the contemporary, the manual and digital, artefacts and technologies; as well as the connections between Islamic art and secular art in Muslim-majority countries.

Particular themes of interest include (but are not restricted to) the following topics:

• philosophical roots of Islamic visual aesthetics. (e.g., Plato, Aristoteles, Al Ghazali, Avicenna, Averroes, Ibn Arabi, et al.);
• the philosophy of Islamic artistic visual practices;
• aniconism, abstraction and representation in Islamic art;
• aniconism and the status of photographic and filmic images;
• influences of Islamic aesthetics in Western art (classical and contemporary), particularly painting and film;
• verbal/visual divide in Islamic aesthetics and arts;
• haptical dimensions of aesthetic experience in Islamic visual works;
• different regimes of visibility in Islamic art tradition;
• aesthetic experience and transcendence in Islam;
• connections and interdependence between philosophy, theology, art, politics and society in Islamic traditions.

Plus:

• specificities of Islamic thought and aesthetics in the Iberian Peninsula;
• connections between Islamic and Christian aesthetics in the Iberian Peninsula;
• mysticism in Islam and in Christianity, the Sufi tradition and early Christian mystics, particularly in the Iberian Peninsula.

The submission deadline is April 30 (for 500-word abstracts). Prospective authors should submit a short CV along with the abstract. A selection of authors will be invited to submit full papers according to the journal guidelines. Acceptance of the abstract does not guarantee publication, since all papers will be subjected to double blind peer-review. Submissions are accepted only in English.

Cinema also invites submissions to its special sections: interviews, conference reports and book reviews. Please consult the web site of the journal for further details.

Feel free to contact the editors for this issue, Patrícia Castello Branco or Sérgio Dias Branco.

Jan Troell: A Memória das Vidas (1)

21.03.2017


Här har du ditt liv (“Esta é a Tua Vida”, 1966).

Este filme será mostrado amanhã nas Sessões do Carvão, às 21:30.

A obra de Jan Troell é uma das mais relevantes do cinema sueco, em conjunto com a de Ingmar Bergman. Um autoditacta, Troell começou a sua carreira na realização de curtas-metragens e na direcção de fotografia. Quando passou à realização de filmes com uma duração longa, nalguns casos longuíssima, continuou a assegurar a direcção de fotografia. O realismo poético das suas obras é marcado pelo vibrante registo visual dos gestos humanos, aberto à improvisação. As personagens surgem densamente inscritas no tecido social e nas malhas da história, abordando temas como a alienação da sociedade moderna em relação à natureza e a expansão do nazi-fascismo e desenvolvimento da Segunda Guerra Mundial. O seu olhar atento, sobre cada personagem e as suas circunstâncias, tem-se focado em particular nos trabalhadores e nos emigrantes.

Cinema 8

20.03.2017

Issue 8 of Cinema: Journal of Philosophy and the Moving Image on Marx’s philosophy, which Mike Wayne (Brunel University London) and I have edited, has now finally been published, dated December 2016. The contents may be consulted, read, and downloaded here:

“Editorial: Film Through Marx, Our Contemporary”, Michael Wayne and Sérgio Dias Branco

ARTICLES

“Cinema Violence and the Ontology of Capitalism”, Se Young Kim (Vanderbilt University)

“From Binary to Rich Dialectics: The Revolt of the Fishermen and Mauser”, Angelos Koutsourakis (University of Leeds)

“From Barton Fink to Hail, Caesar!: Hollywood’s Ghosts of Marxist Past”, Cam Cobb and Christopher J. Greig (University of Windsor)

“Making Films Negatively: Godard’s Political Aesthetics”, Jeremy Spencer (Camberwell College of Arts - University of Arts London)

“The View from Below: Film and Class Representation in Brecht and Loach”, Keith O’Regan (York University)

“For Marx: The New Left Russian Cinema”, Marijeta Bozovic (Yale University)

INTERVIEWS

“‘Another kind of primitive dream’: Interview with Apichatpong Weerasethakul”, by Susana Nascimento Duarte (IFILNOVA) and José Bértolo (CEC - University of Lisbon)

BOOK REVIEWS

“Lukácsian Film Theory and Cinema: A Study of Georg Lukács’ Writings on Film 1913-71”, Stefanie Baumann (IFILNOVA)

“Understanding Sound Tracks Through Film Theory”, Nick Poulakis (National and Kapodistrian University of Athens)

“Cinema of Simulation: Hypereal Hollywood in the Long 1990s”, Jorge Martins Rosa (NOVA)

“Mismatched Women: The Siren’s Song Through the Machine”, Najmeh Moradiyan Rizi (University of Kansas)

“Literatura e Cinema. Vergílio Ferreira e o espaço do indizível”, Ana Bela Morais (CEC - Universidade de Lisboa)

“Cinema El Dorado – Cinema e Modernidade”, José Bértolo

CONFERENCES REPORT

“Capitulation to Cool?: Thoughts on Conferences 2015-2017”, William Brown (University of Roehampton)

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Sessões do Carvão: “Jan Troell: A Memória das Vidas”

16.03.2017

22 MARÇO

21:30   Här har du ditt liv (“Esta é a Tua Vida”, 1966), real. Jan Troell

29 MARÇO

21:30   Ole dole doff (“Quem o Viu Morrer?”, 1968), real. Jan Troell

5 ABRIL

21:30   Utvandrarna (Os Emigrantes, 1971), real. Jan Troell

19 ABRIL

21:30   Nybyggarna (“A Nova Terra”, 1972), real. Jan Troell

26 ABRIL

21:30   Hamsun (1996), real. Jan Troell

3 MAIO

21:30   Maria Larssons eviga ögonblick (“Os Momentos Eternos de Maria Larssons”, 2008), real. Jan Troell

No Dia Internacional da Mulher

06.03.2017


Suffragette.

No próximo dia 8, Dia Internacional da Mulher, às 21:15, o Grupo Unitário de Mulheres da Figueira da Foz organiza uma sessão de cinema gratuita no Centro de Artes e Espectáculo com o filme Suffragette (As Sufragistas, 2015). Fui convidado para participar numa conversa a seguir à projecção. É um convite que muito me honra, empenhado como estou na emancipação das mulheres que está longe de se ter concretizado (e de se poder concretizar) na sociedade em que vivemos. Darei o meu melhor, como a ocasião exige. Mais informações aqui.

Eterno Dialéctico

02.03.2017


Au hasard Balthazar (Peregrinação Exemplar, 1966).

Montaigne parafraseado por Bresson nas “Notas sobre o Cinematógrafo”: “Os movimentos da alma nascem com a mesma progressão que os do corpo.” Fui procurar o original. O filósofo tinha escrito “funções”. O cineasta substituiu essa palavra por “movimentos”. Bresson, eterno dialéctico.