Escolhas 2009

29.01.2010


Coraline.

Nada há de novo debaixo do Sol. O fetichismo tecnológico em volta de Avatar (James Camerson, 2009) relembrou esta verdade. Algo contra a tecnologia? Não. No entanto, talvez seja preciso dar um passo para trás e discutir não o que a tecnologia permite mas para que serve, o que serve. Compare-se o filme de Cameron com Coraline (Coraline e a Porta Secreta, 2009). Na fábula a partir do conto de Gaiman, o 3D é mais expressivo, espesso, a profundidade visual e solicitações de atenção evocam e correspondem ao olhar maravilhado e sobressaltado, curioso e inventivo de uma criança. De facto, o espalhafato efémero com que os filmes são hoje promovidos e divulgados por vezes encobre-os, reduzindo-os a acontecimentos estimulantes que negligenciam o seu valor humano e a sua dimensão artística. É urgente resistir a esta indiferença do consumismo cultural. É necessária uma abertura aos filmes, uma disponibilidade para a sua arte, um amor. A crítica, por seu lado, deve também fazer o seu papel, propondo um discurso de reflexão em vez de uma confirmação do óbvio (ou até de uma indicação de gosto).

Nada de novo sob o Sol. Mas as dez obras que escolhi mostram como no cinema, todas as coisas, quaisquer coisas, nos podem aparecer como novas, refeitas, recriadas, em imagens e sons, em gestos e palavras, que nos desafiam a concentrar no que é precioso, vibrante, diverso, único. É claro que nestes exercícios há sempre filmes ausentes. Mas vale a pena fazer uma distinção. Alguns ficaram de fora por falta de espaço—Amazing Grace (2006), Singularidades de uma Rapariga Loura (2009), Shotgun Stories (Histórias de Caçadeira, 2007), This Is England (This Is England - Isto é Inglaterra, 2006), entre outros. Outros foram excluídos à partida—Inglourious Basterds (Sacanas sem Lei, 2009), por exemplo.

35 rhums (35 Shots de Rum, 2008), real. Claire Denis
Cant dels ocells, El (O Canto dos Pássaros, 2008), real. Albert Serra
Coraline
Go Go Tales (Histórias de Cabaret, 2007), real. Abel Ferrara
Happy-Go-Lucky (Um Dia de Cada Vez, 2008), real. Mike Leigh
Hurt Locker, The (Estado de Guerra, 2009), real. Kathryn Bigelow
Michael Jackson’s This Is It (2009), real. Kenny Ortega
Ne change rien (2009), real. Pedro Costa
Rachel Getting Married (O Casamento de Rachel, 2008), real. Jonathan Demme
Two Lovers (Duplo Amor, 2008), real. James Gray[1]
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[1] Publicado simultaneamente em Cinema2000: Balanço 2009 - As Nossas Escolhas”.

Writings of a Spectator

27.01.2010

This is perhaps obvious to regular visitors, but I am now keeping three (visible) blogs—and my personal site has been renewed. This one, The Motions of Images, is the primary blog. Aesthetics and Other Philosophy develops my interest in aesthetics and philosophical topics.

Writings of a Spectator is the sister blog of Motions of Images, an archive of critical notes on art works of the moving image in English and Portuguese.

Cultural Borrowings, the E-Book

16.01.2010


The Chemical Brothers’ “Get Yourself High” (2003).

In March 2008, I participated in a huge and fruitful conference at University of Nottingham on cultural borrowings. Almost two years after that event, Scope, the well-known online journal of the Institute of Film and TV Studies of that university, publishes an e-book titled “Cultural Borrowings: Appropriation, Reworking, Transformation”, a collection of the best papers presented at the conference. I have contributed with a chapter on music videos and reused footage. My thanks to the editor, Iain Robert Smith, to Dr. Elizabeth Evans, and to the three anonymous reviewers, whose suggestions have significantly improved my essay.

This issue of Scope also marks the 10th anniversary of the publication. It is an honour.

Maria de Morais

14.01.2010

I heard about Maria de Morais and her paintings in November 2009, so I am bit late. But these untitled flowers that bloom everywhere are still impressive, organically emerging from the surface of the paintings as if they are living things and are in motion. Her web site also includes photos and collages.